sábado, 3 de março de 2018

Não me digas mais nada - Fernando Pessoa

Não me digas mais nada. O resto é a vida.
Sob onde a uva está amadurecida.
Moram meus sonos, que não querem nada.
Que é o mundo? Uma ilusão vista e sentida.

Sob os ramos que falam com o vento,
Inerte, abdico do meu pensamento.
Tenho esta hora e o ócio que está nela.
Levem o mundo: deixem-me o momento!

Se vens, esguia e bela, deitar o vinho
Em meu copo vazio, eu, mesquinho
Ante o que sonho, morto te agradeço
Que não sou para mim mais do que um vizinho.

Quando a jarra que trazes aparece
Sobre meu ombro e a sua curva desce
A deitar vinho, sonho-te, e, sem ver-te,
Por teu braço teu corpo me apetece.

Não digas nada que tu creias. Fala
Como a cigarra canta. Nada iguala
O ser um sonho pequeno entre os rumores
Com que este mundo.

A vida é terra e o vivê-la é lodo.
Tudo é maneira, diferença ou modo.
Em tudo quando faças sê só tu,
Em tudo quanto faças sê tu todo.

Fernando Pessoa
(1888-1935)

Mais sobre Fernando Pessoa em
http://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Pessoa

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

FELIZ OLHAR NOVO (Carlos Drummond de Andrade)



"O grande barato da vida é olhar para trás e sentir orgulho da sua história. O grande lance é viver cada momento como se a receita da felicidade fosse o AQUI e o AGORA. Claro que a vida prega peças. É lógico que, por vezes, o pneu fura, chove demais... Mas, pensa só: tem graça viver sem rir de gargalhar pelo menos uma vez ao dia? Tem sentido ficar ch......ateado durante o dia todo por causa de uma discussão na ida pro trabalho? Quero viver bem. O ano que passou foi um ano cheio. Foi cheio de coisas boas e realizações, mas também cheio de problemas e desilusões. Normal. Às vezes se espera demais das pessoas. Normal. A grana que não veio, o amigo que decepcionou, o amor machucou. Normal.

O próximo ano não vai ser diferente.

Muda o século, o milênio muda, mas o homem é cheio de imperfeições, a natureza tem sua personalidade que nem sempre é a que a gente deseja, mas e aí? Fazer o quê? Acabar com seu dia? Com seu bom humor? Com sua esperança?
O que eu desejo para todos nós é sabedoria! E que todos saibamos transformar tudo em uma boa experiência! Que todos consigamos perdoar o desconhecido, o mal educado. Ele passou na sua vida. Não pode ser responsável por um dia ruim... Entender o amigo que não merece nossa melhor parte. Se ele decepcionou, passe-o para a categoria três, a dos colegas. Ou mude de classe, transforme-o em conhecido. Além do mais, a gente, provavelmente, também já decepcionou alguém.

O nosso desejo não se realizou? Beleza, não tava na hora, não deveria ser a melhor coisa pra esse momento (me lembro sempre de um lance que eu adoro: CUIDADO COM SEUS DESEJOS, ELES PODEM SE TORNAR REALIDADE).
Chorar de dor, de solidão, de tristeza faz parte do ser humano. Não adianta lutar contra isso.

Mas se a gente se entende e permite olhar o outro e o mundo com generosidade, as coisas ficam diferentes.

Desejo para todo mundo esse olhar especial.

O próximo ano pode ser um ano especial, muito legal, se entendermos nossas fragilidades e egoísmos e dermos a volta nisso. Somos fracos, mas podemos melhorar. Somos egoístas, mas podemos entender o outro.
O próximo ano pode ser o máximo, maravilhoso, lindo, espetacular... ou... Pode ser puro orgulho! Depende de mim, de você! Pode ser. E que seja!!!
Feliz olhar novo!!!






















terça-feira, 21 de novembro de 2017

Cheguei à melhor idade!




Agora sou sexy! Com a graça de Deus chegando aos 60 anos de idade bem vividos.


Na tenra idade, tive os meus momentos de irreverência. Qual o(a) jovem que não os teve?

Vivi cada fase em sua época sem ter pulado nenhuma: a infância, a adolescência, a fase adulta e ágora entrando na velhice. Velhice? Posso chamar assim? Uns chamam de Terceira idade, outros dizem que essa é a fase em que a pessoa apresenta mais experiência de vida, podendo ensinar muitas coisas interessantes. Nada mal. Pelo menos o que rege o estatuto do idoso, é que ele me enquadra nesse perfil a partir de agora. Portanto, cuidado aí com o que dizem de mim! Posso enquadrar na lei ... rsrsrsrsrs ... O certo é que não deixei nenhuma fase para ser vivida depois. A psicologia explica que não é bom viver a adolescência na fase adulta. Encarar a vida de forma leve e aproveitar cada etapa da vida pode ser a chave para tornar a passagem do tempo feliz Não me considero velha. Não importa o que diga o espelho. Mas prometo a mim mesmo que a partir de hoje vou buscar uma vida mais ativa, saúde é o que interessa. O que matava o velho era a aposentadoria, agora ninguém mais se aposenta... rsrsrsrs...
Das pedras que a vida generosamente me deu? Não as retribui. Com a misericórdia de Deus, o incansável amor de meus pais, o incentivo dos irmãos e a colaboração indispensável do meu marido construí o meu castelo (minha família).
Com o azedume dos limões? Fiz a mais saborosa limonada de cada dia, resiliência não me faltou.
As rugas? Cada uma representa uma história e a beleza da passagem pela vida. Apagar essas marcas seria rasgar o livro existencial de cada uma.
Como uma boa paraibana que sou, “SIM SENHOR”, sem a subserviência na expressão da palavra, nunca aceitei opiniões prontas, redondas de ninguém, sempre busquei trilhar o meu caminho tirando as minhas próprias conclusões, experimentando o sabor das massas e das maçãs.
Os momentos de glórias? Ah! Esses momentos estão eternizados no coração do Pai. A Ele toda honra e toda glória! A Ele agradeço por ter chegado inteira nesta nova fase da vida.
A minha oração hoje é de agradecimento. Mas também tenho um único pedido a fazer: que eu seja instrumento da bênção de Deus para a minha casa e para o mundo.


















terça-feira, 18 de julho de 2017

DEMOCRACIA IMPEDIDA


O Conversa Afiada reproduz desafiadora entrevista do professor Juarez Guimarães a Marco Weissheimer, do Sul21, e convida o amigo navegante a ir ao post sobre o livro "Democracia impedida", de Wanderley Guilherme dos Santos:
‘Não há nada mais desmobilizador hoje do que 2018. Entre nós e 2018 há um abismo’

Lula não será candidato. Nem haverá eleição em 2018 - Por ​Prof Juarez: é preciso entender a "Democracia impedida" - publicado 17/07/2017

“O golpe em curso no Brasil se insere no processo internacional da contrarrevolução neoliberal que está construindo estados constitucionais não democráticos pelo mundo inteiro. Os golpistas estão divididos e enfrentam dificuldades para lidar com a crise de legitimidade decorrente do golpe, mas estão unificados programaticamente. E esse programa põe em questão princípios fundamentais do pensamento democrático do pós-guerra, gerando um cenário de instabilidade , ódio e intolerância”. A avaliação é do cientista político Juarez Guimarães, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que aponta graves conseqüências desse quadro nos planos nacional e internacional. “Os valores fundamentais da paz, da liberdade, dos direitos humanos, do pluralismo e da tolerância estão em questão e é por isso que falo que estamos vivendo uma crise civilizacional”, diz o cientista político em entrevista ao Sul21.
Juarez Guimarães analisa os acontecimentos recentes da vida política brasileira sob a perspectiva de uma linha histórica mais longa, aponta um déficit de consciência da esquerda sobre o que está acontecendo no Brasil e no mundo, defende a centralidade da campanha por Diretas Já e adverte sobre os riscos de depositar todas as esperanças em 2018 para a superação da crise atual. Para ele, quem achar que estamos vivendo apenas um intervalo no processo de normalidade democrática, pode avaliar, por exemplo, que a sentença do juiz Sérgio Moro contra o ex-presidente Lula deve ser reformada em segunda instância, uma vez que não tem base jurídica nem provas. No entanto, diz, estamos vivendo um estado de excepcionalidade onde a exceção é a regra. “Moro é corrompido politicamente e está exercendo seu mandato de juiz de forma partidária”. E acrescenta:
“Qualquer pensamento político que se estreitar no plano da legalidade jurídica estará cometendo um gravíssimo erro. Com o STF, tal qual está funcionando, com a Constituição tantas vezes violada como foi, qual a dificuldade em praticar mais uma violação? Não há nada mais desmobilizador, hoje, do que 2018, porque entre nós e 2018 há o abismo. Se não enfrentarmos a possibilidade do abismo corremos o risco de ser tragado por ele”.
Sul21: Diante de uma conjuntura extremamente instável, que muda rapidamente, como, qual a sua avaliação sobre a situação política que o Brasil está vivendo?
Juarez Guimarães: Estou trabalhando com a ideia de uma contrarrevolução neoliberal, que dialoga com elaborações que estão sendo feitas pela ciência política brasileira. A ciência política brasileira, majoritariamente, se posicionou, através da Associação Brasileira de Ciência Política e da Associação Latino-americana de Ciência Política (Alacip), caracterizando o que aconteceu no Brasil como um golpe. O cientista político sênior do Brasil, Wanderley Guilherme dos Santos, escreveu o livro “A democracia impedida. O Brasil no século XXI” (FGV Editora), cujo título deve ser bem entendido.

A “democracia impedida” contém a denúncia do que ele chama de golpe parlamentar, que é uma figura nova na ciência política. Em regimes democráticos representativos, forças políticas utilizam-se de aparatos previstos na Constituição, reinterpretando-os de forma ilegítima, forçando o sentido previsto na Carta Constitucional, para promover um golpe parlamentar. Esses golpes são ditos parlamentares, diz Wanderley Guilherme dos Santos, porque os atores são parlamentares que necessitam de uma cobertura de legitimação do Judiciário. Eles são, por natureza, instáveis e carecem de legitimidade, razão pela qual procuram a via anti-democrática.
O autor acrescentou o subtítulo “O Brasil no século XXI” por entender que esse golpe parlamentar não é um ser estranho na atual conjuntura das democracias ocidentais, embora ele não queira fazer, do que ocorreu no Brasil, um paradigma. Está apenas chamando a atenção para o fato de que existe uma crise das democracias ocidentais e que fenômenos semelhantes, de captura da soberania popular e de um encaminhamento anti-democrático das instituições a partir de seu próprio interior, encontra alguma tipicidade, hoje, no funcionamento dessas democracias. Ele revisita Karl Polanyi, recuperando a oposição dramática entre democracia e capitalismo para pensar esse novo contexto.
As forças capitalistas empoderadas estariam retirando dimensões fundantes da democracia. O autor opõe essa visão a de T.H.Marshall, autor de “Cidadania, Classe Social e Status”, que via uma relação mais virtuosa entre democracia e capitalismo, o que levaria a um aprofundamento crescente das condições de cidadania até se chegar a um ponto em que a própria ideia de classe social estaria subsumida a um status de igualdade que seria construído. Wanderley Guilherme dos Santos reivindica a ideia de que as democracias representativas, tais como nós as conhecemos, são eventos recentes na história ocidental, eventos do pós-guerra, mergulhados hoje em um processo de grande tumulto e instabilidade.
Trata-se de um livro muito importante e é preciso chamar a atenção sobre ele. A mídia brasileira praticamente o ignorou. O principal cientista político do país, que estuda a democracia há quase cinco décadas, escreve um livro importante como esse e ele é ignorado pela mídia brasileira. Nós estabelecemos uma afinidade com essa interpretação e também com a interpretação do cientista político Luis Felipe Miguel, da Universidade de Brasília, que caracteriza o que nós estamos vivendo como uma situação de exceção. Foi rompida a Constituição e estamos numa situação marcada pelo arbítrio, onde os fundamentos constitucionais de 1988 já não estão valendo. Nesta situação, o Executivo funciona de uma forma ilegítima, o Legislativo funciona com uma alienação de representação, de um modo absolutamente autonomizado em relação à sociedade, e o Judiciário emite jurisprudências arbitrárias de forma seqüencial. Cada caso é um caso, dependendo das conveniências e dos interesses políticos envolvidos.
Luis Felipe Miguel, concordando com essa avaliação de que houve um golpe parlamentar, elabora a ideia de uma crise do estado democrático brasileiro, onde os três poderes estão trabalhando em um regime de exceção. Nós dialogamos com esses dois conceitos – golpe parlamentar e estado de exceção – para trabalhar a ideia de uma contrarrevolução neoliberal.
Sul21: Quais seriam as características desta contra-revolução neoliberal?
J
uarez Guimarães: Esse conceito parte da ideia de que, para pensar a conjuntura brasileira na sua imprevisibilidade e elevado grau de arbítrio, é preciso recorrer à história longa, ao processo inacabado e interrompido de construção de uma república democrática no Brasil e aos impasses históricos dessa construção. Ao inserirmos a narrativa do golpe de 2016 na história brasileira, não pretendemos interpretar esse golpe a partir do que ocorreu em 1964. O que queremos é identificar uma reiteração de sentido, isto é, a incapacidade das classes dominantes brasileiras de conviver com a democracia naquilo que ela tem de substantivo, como a distribuição de poder e riqueza e de alargamento de sua base social.
Revisitamos, por essa via, os clássicos de interpretação do Brasil, principalmente o livro “A Revolução Burguesa”, de Florestan Fernandes, que interpretou 1964 como uma revolução burguesa brasileira que conjugou capitalismo selvagem e autocracia. As classes dominantes brasileiras, muito prematuramente, viveram o dilema distributivista pela pressão das classes populares em um espaço restrito de manobra, em função de sua dependência em relação às classes dominantes internacionais. Pressionada desde baixo e com um espaço restrito de manobra, ela optou historicamente por conjugar capitalismo com autocracia e essa é a história da ditadura militar.
Sul21: Na sua opinião, qual a relação que existe entre a narrativa do golpe de 2016 e a do golpe de 1964?
Juarez Guimarães: O sentido do golpe de 64 está sendo reiterado agora, com uma grande diferença. Além dessa pressão dos de baixo para conseguir um alargamento da distribuição de poder e das riquezas, e do fato de a economia brasileira ser hoje muito mais associada ao capitalismo internacional do que era em 64, temos uma mudança epocal da tradição liberal. Essa tradição liberal é responsável pela formulação dos princípios civilizatórios dominantes no mundo. No entanto, esses princípios, nas últimas quatro, cinco décadas, passaram por uma grande mudança em nível global.
O neoliberalismo já tem uma história e já há uma literatura especializada sobre esse tema, em grande parte desconhecida pela esquerda brasileira, que estuda esse fenômeno epocal e suas consequências no sentido de desconstruir o princípio da soberania popular nas democracias ocidentais. O livro “Undoing the Demos”, de Wendy Brown, trata dessa revolução discreta do neoliberalismo. Estamos falando, portanto, de uma época histórica, não de uma conjuntura específica. O que está ocorrendo no Brasil seria a atualização das classes dominantes nacionais se colocando contemporaneamente nesta revolução epocal do neoliberalismo. Essa revolução epocal reduziu o chamado liberalismo social a uma nota de pé de página dos livros que hoje compõem o paradigma econômico dominante.
Se estamos identificando uma época, é necessário também identificarmos as conjunturas no interior dessa época de quatro ou cinco décadas. Esse golpe no Brasil é a expressão de um terceiro período epocal do neoliberalismo. Se formos olhar sua história, o neoliberalismo teve uma proto-origem nos anos 30 e passa por um primeiro período de acumulação no pós-guerra. Ele alcançou, pela primeira vez, o governo de dois estados centrais, Estados Unidos e Inglaterra, no final dos anos 70, construindo, em nome da liberdade, uma agenda do Estado mínimo nos anos 80. Essa é a primeira fase de irrupção do neoliberalismo na vida política do Ocidente.
Nos anos 90, houve então uma reação, uma tentativa do Partido Democrata, dos Estados Unidos, originário do New Deal e a favor de um keynesianismo, e também da socialdemocracia europeia. Neste processo, ocorre uma absorção da agenda do neoliberalismo tanto pelo Partido Democrata norte-americano como pelo chamado novo trabalhismo de Tony Blair. Aí temos um primeiro momento de fusão do Brasil com esse novo movimento, através do governo Fernando Henrique, que tentou conectar o país nessa ideia de terceira via. Essa terceira via já não era, então, algo intermediário entre o liberalismo e o socialismo, mas sim entre liberalismo e neoliberalismo. O que resultou dos anos 90 foi uma desconstituição das bases programáticas e identitárias tanto do Partido Democrata norte-americano quanto das tradições socialdemocratas europeias, inclusive do Partido Trabalhista inglês.
Entramos neste século vivendo uma terceira fase do neoliberalismo, uma fase mais predatória, onde suas dimensões antidemocráticas ficam mais evidentes. A partir de 2008, quando as dívidas financeiras foram estatizadas, a contradição entre a gestão da dívida pública e as democracias vai para o primeiro plano. Vemos, então, essa dimensão antidemocrática do neoliberalismo irromper de forma mais evidente. O golpe no Brasil se insere nesta narrativa de uma contrarrevolução neoliberal que está construindo estados constitucionais não democráticos. Não são estados militarizados, como na época da guerra fria, mas estados constitucionais não democráticos.
Sul21: Do ponto de vista do pensamento político de esquerda, quais seriam as principais implicações dessa contrarrevolução neoliberal, tanto no plano nacional como internacional?
Juarez Guimarães: Há muitas questões interpretativas sobre essa nova realidade que desafiam os marxistas. A primeira é como entender que o neoliberalismo tenha saído mais forte da crise de 2008. Muitos marxistas e outros intérpretes do neoliberalismo previram ali o fim do neoliberalismo e da globalização neoliberal. Este foi o segundo fim proclamado do neoliberalismo. O primeiro foi com a derrota dos governos conservadores de Reagan e Thatcher para alianças socialdemocratas nos anos noventa. Também aí se teorizou, de modo impressionista, que o neoliberalismo estava no fim. No entanto, ele ressurgiu com mais força. Como entender isso? A grande resposta a isso estaria em estudos feitos sobre a tradição neoliberal que se perguntam, no sentido gramsciano, se o neoliberalismo é apenas um evento superestrutural da política ou se ele já é expressão da constituição de uma classe capitalista transnacional. Isto é, se ele já é a expressão de uma vontade política classista que se organiza para além dos estados nacionais.
Há um artigo muito interessante de William Carroll e Jean Philippe Sapinski sobre esse tema, que utiliza os conceitos clássicos de Marx, de classe-em-si e classe-para-si, para abordar esse fenômeno. De 1970 a 2008, assinalam os autores, as exportações de mercadorias cresceram 6,9% no mundo. De 1970 a 2000, os investimentos globais diretos se multiplicaram 48 vezes. Já os empréstimos bancários internacionais, entre 1977 e 2008, se multiplicaram 55 vezes. Isto é, empoderou-se muito a financeirização do mundo. Esses autores dizem que esse período é de expansão da classe-em-si, um momento de expansão dos interesses financeiros que estavam alargando os seus espaços de reprodução.
A partir da crise de 2008, do acúmulo de suas vitórias e de expansão do setor financeiro, estaria ocorrendo a passagem da classe-em-si para a classe para-si. Essas classes transnacionais já estariam sendo capazes de formular um projeto de uma ordem internacional capaz de submeter estados nacionais aos paradigmas por ela formulados.

A Mont Pèlerin Society reúne, através da Atlas Economic Research Foundation, quatrocentos think thanks, articulados internacionalmente. (Reprodução: Muckety – Mapping connections of the rich, famous & influential
Os autores se perguntam: qual o lugar dessa passagem da classe-em-si para a classe-para-si? Onde esses capitalistas estão ganhando essa consciência mundial e formulando um programa internacional de dominação? No Estado norte-americano, fundamentalmente, desde a época Clinton, mas também durante a era Obama, e no processo da unificação europeia. Nestes dois lugares estatais está se dando a formação dessa consciência política nova de uma classe capitalista transnacional. Eles também se perguntam pelos locais onde se organiza essa vontade política. A resposta é que isso se dá, fundamentalmente, em três lugares. Em primeiro lugar, na Organização Mundial do Comércio (OMC), que reúne 133 países e é o espaço onde se resolvem disputas, se produzem consensos estratégicos e se estabelecem regulações comuns.
O segundo lugar seria o Fórum Econômico Mundial de Davos, onde as mil corporações mais importantes do planeta comparecem anualmente. O papel do Fórum de Davos é formular e hierarquizar as agendas políticas. E o terceiro é a Mont Pelèrin Society, organização criada em 1947 para promover valores e princípios liberais e pode ser considerada como a origem do neoliberalismo. Essa sociedade reúne, através da Atlas Economic Research Foundation, quatrocentos think thanks, articulados internacionalmente para organizar a cobertura intelectual desse paradigma.
Sul21: Em que medida esse movimento internacional já estabeleceu raízes no Brasil também?
Juarez Guimarães: Quando estudamos o caso brasileiro e constatamos as contradições no interior da coalizão golpista, vemos que por trás de um Temer há um Maia e que por trás do Maia há um outro e por trás desse outro há um programa que unifica todos os golpistas. Os golpistas estão divididos e enfrentam dificuldades para lidar com a crise de legitimidade decorrente do golpe, mas estão unificados programaticamente. Essa unificação programática e esse background internacional tornam possível fazer operações de reposição política como ocorreu recentemente na França. Lá, tínhamos uma direita derrotada eleitoralmente e uma social-democracia derrotada na sua identidade. De repente, surge um outro, que repõe o fundamento político desse programa e recompõe uma maioria parlamentar. Que milagre político é esse?
Esse milagre político só pode ser entendido a partir de uma visão integrada dessa contrarrevolução neoliberal. Estamos vivendo uma espécie de abalo sísmico civilizacional. O que está em jogo é um princípio de civilização que reorganiza os fundamentos da vida em comum. O liberalismo keynesiano expressa uma visão de sociedade que tem como referência a ideia de soberania popular e é um lugar onde se disputam e se forma os direitos dos cidadãos. É esta ideia civilizacional que está em questão com essa contrarrevolução neoliberal.
Sul21: Como vê as possibilidades de resistência e de enfrentamento desta contrarrevolução?
Juarez Guimarães: A insuficiência de consciência leva a uma desorganização da vontade política. A direita está à frente da esquerda em função disso. Ela está mais contemporânea e mais unificada programaticamente do que a esquerda, em nível internacional. O que a direita brasileira fez foi se amparar neste novo paradigma internacional para, com base nele, quebrar um acúmulo sincrético da esquerda brasileira. O que resulta desta contrarrevolução neoliberal não são nem regimes estáveis no plano nacional nem uma ordem internacional estabilizada, pelo contrário. O que temos visto como fenômeno intrínseco a este desmantelamento dos fundamentos de pactuação das democracias ocidentais é um grau crescente de ilegitimidade e de instabilidade política no centro dessas democracias. Então, essa contrarrevolução neoliberal não gera estabilidade, mas instabilidade permanente e um processo de degradação política.
Temos que entender melhor o que significa essa erosão dos fundamentos da soberania popular. A erosão da soberania popular pode se dar através da erosão da soberania de estados nacionais com a transferência para organismos internacionais de decisões que deveriam ser tomadas soberanamente pelos povos. Além disso, ataca-se os fundamentos democráticos da competição eleitoral através de um grau de financeirização inaudito das eleições. Hoje, por exemplo, a probabilidade de reeleição de um membro do Congresso norte-americano está em torno de 93% ou 94%. Isso significa que o sistema político já está de tal maneira oligarquizado, já se desprendeu do controle popular de uma tal maneira que ele não diz mais respeito ao cidadão comum ou diz muito pouco. Ele se reproduz no seu próprio processo de financeirização.
Junto com isso temos um processo de degradação profunda da formação da opinião pública democrática nestes países, inclusive nos Estados Unidos onde mais existiam leis anti-trustes, que proibiam a verticalização. Em 1996, houve um ato que reviu esses fundamentos de regulação e hoje a mídia norte-americana está concentrada em sete grandes empresas. Isso provoca um processo de corrupção da opinião pública. O que ocorre no Brasil em termos de concentração midiática não é uma excentricidade, mas algo que se verifica inclusive nos Estados Unidos.
Ao invés do pluralismo, o que vemos hoje é o crescimento de uma cultura do ódio e da intolerância. Os fundamentos da vida pública democrática em comum estão sendo erodidos. Isso está levando a uma situação de grande instabilidade e a fenômenos como a eleição de Trump. Vemos hoje também uma profunda desorganização das relações internacionais e a configuração de um contexto global onde o cenário de guerra não se tornou apenas possível, como provável. Os paradigmas de regulação estão em crise. A própria ONU está impotente. Estamos lidando com o crescimento potencial de conflitos bélicos. Isso deve fazer parte da imaginação da esquerda contemporânea. Os valores fundamentais da paz, da liberdade, dos direitos humanos, do pluralismo e da tolerância estão em questão e é por isso que falo que estamos vivendo uma crise civilizacional.
Sul21: Falando da conjuntura mais de curto prazo, a sua vinda a Porto Alegre coincidiu com o anuncio da sentença de condenação do ex-presidente Lula pelo juiz Sérgio Moro. Na sua avaliação, como esse fato impacta o atual cenário político do país? Ele provoca alguma mudança qualitativa na atual conjuntura ou é apenas mais um capítulo do processo do golpe?
Juarez Guimarães: A resposta depende da consciência que você tiver. Há quem trabalhe com a ideia de que o que está ocorrendo no Brasil é apenas um intervalo irregular de uma normalidade democrática, uma espécie de cicatriz no corpo da democracia brasileira. Seguindo essa ideia, poderíamos avaliar que a sentença de Moro, como não possui nenhuma base jurídica, certamente seria revertida na segunda instância. Mas eu penso que não é disso que se trata. Acho errado chamar Moro de juiz parcial. Isso é conceder muito a ele. Na verdade, é um juiz corrompido politicamente. Ele está exercendo o seu mandato de juiz de forma partidária, contra a Constituição e contra o povo brasileiro. É um juiz corrompido e deve ser assim chamado publicamente. A corrupção mora ali em Curitiba. Eu fico indignado quando as pessoas falam da “República de Curitiba”. Não há nada de República ali, mas sim o contrário. É o princípio da corrupção da República que está organizado ali.
Então, se eu achasse que o que está acontecendo fosse apenas uma cicatriz no corpo da democracia brasileira, poderia ter esperança de que esse juízo tão corrompido fosse revertido numa segunda instância. No entanto, eu penso que nós estamos vivendo um período de excepcionalidade onde a exceção é a regra. Portanto, a decisão da segunda instância dependerá da correlação de forças políticas que se estabelecer quando ela for julgar. Qualquer pensamento político que se estreitar no plano da legalidade jurídica estará cometendo um gravíssimo erro, pois nós estamos em um estado de exceção. Com o STF, tal qual está funcionando, com a Constituição tantas vezes violada como foi, qual a dificuldade em praticar mais uma violação?
O fundamento da lógica do golpe é que não deve haver mais democracia nem soberania popular no Brasil e que a esquerda não deve mais ser competitiva em eleições. A candidatura do Lula pode ser impugnada de diferentes maneiras. Ele pode levar uma pena leve de dois anos em prisão domiciliar, com perda de direitos políticos, por exemplo. Eles podem argüir a inelegibilidade de Lula, compondo com qualquer tipo de sentença ou podem simplesmente mudar a regra eleitoral.
Nós não estamos trabalhando em um período de normalidade democrática. Se não soubermos capturar o tempo dos golpistas, eles utilizarão o tempo contra nós. É aí que entra a questão das Diretas que foi decidida no último congresso do PT e que frequenta o discurso dos movimentos sociais brasileiros e de outros partidos como o PSOL e o PCdoB. Mas esse discurso ainda não se tornou uma campanha. É como se a esquerda brasileira estivesse, ao mesmo tempo, denunciando o golpe, dizendo “não queremos Maia”, mas não organizando uma campanha pelas Diretas.
Alguém poderá dizer que o fato desta campanha não ter deslanchado é um limite do povo brasileiro. Eu acredito, porém, que os limites fundamentais estão no grau de consciência da esquerda. Esse grau de consciência ainda aponta: calma, ainda haverá eleições em 2018, é preciso ter um pouco de paciência, vamos aguardar e acumular para 2018. O problema é que existe entre hoje e 2018. Não nada mais desmobilizador, hoje, do que 2018, porque entre nós e 2018 há um abismo. Se não enfrentarmos a possibilidade do abismo corremos o risco de ser tragado por ele.

FONTE:https://www.conversaafiada.com.br/politica/lula-nao-sera-candidato-nem-havera-eleicao-em-2018



quarta-feira, 3 de maio de 2017

Por que tiraram a Dilma?

Temos só 516 anos de história e esquecem dos golpes e crises que passamos. Talvez não seja muito relembrar de 2 em 2 dias que esta Presidenta não tem acusações e isto é sabido pelo mundo.
Dilma sofre um bombardeio de quase todos os lados:
- corruptos querem tirar Dilma porque ela quer acabar com a corrupção.
- médicos querem tirar Dilma porque ela quer acabar com a falta de médicos.
- judiciário quer tirar Dilma porque ela vetou aumento de salário deles.
- mídia quer tirar Dilma porque ela redistribuiu as verbas publicitárias.
- americanos querem tirar Dilma porque ela investe nos BRICS.
- investidores especulativos querem tirar Dilma porque ela junto com os BRICS terão moeda forte diferente do dólar.
-MBL, VPR e revoltados querem tirar Dilma porque eles representam corporações como a família Koch.
- família Koch quer tirar Dilma porque lhes interessam "gratuitamente" as riquezas do Brasil.
- petrolíferas estrangeiras querem tirar Dilma porque querem levar o pré-sal.
- empresas querem tirar Dilma porque ela cobra sonegação.
- FIESP quer tirar Dilma porque ela defende os trabalhadores.
- evangélicos querem tirar Dilma porque ela atende a todas as minorias.
- bancada da bala quer tirar Dilma porque ela é contra o armamento.
- indústria farmacêutica quer tirar Dilma porque ela investe em pesquisa nacional.
- planos de saúde querem tirar Dilma porque ela investe no SUS.
- escolas particulares querem tirar Dilma porque ela investe na escola pública, nas escolas técnicas e nas universidades.
- latifundiários querem tirar Dilma porque ela disponibiliza terra para quem quer plantar.
- madeireiros clandestinos querem tirar Dilma porque ela quer acabar com devastação na Amazônia.
- grandes fazendeiros querem tirar Dilma porque ela quer regularizar terras indígenas.
- classe média mais alta quer tirar Dilma porque ela ajuda as classes menos favorecidas com mais oportunidades.
- bancos querem tirar Dilma porque ela quer aumentar taxa sobre ganhos altíssimos dos bancos.
- classe extremamente alta quer tirar Dilma porque ela quer taxar grandes fortunas.
- estudantes ricos querem tirar Dilma porque ela possibilitou estudo aos pobres.
- elite do sul e sudeste quer tirar Dilma porque ela deu novas esperanças para o norte e nordeste.
- coronéis querem tirar Dilma porque ela liberta a população do voto cabresto.
- parte da classe média quer tirar Dilma porque fiéis a mídia conservadora, acreditam em mentiras.
- classe média que acredita ser alta quer tirar Dilma porque não aceita ascensão de outras classes.
- elites querem tirar Dilma porque tem preconceitos contra as minorias (mesmo que maioria em números) que tem sido valorizadas.
- Bolsonaro e todos que ele representa querem tirar Dilma porque ela é contra qualquer tipo de violência.
- "família tradicional" quer tirar Dilma porque devem favores a quem é golpista e que cedeu favores a estas família como grilagem de terras, aposentadorias indevidas, concursos com cartas marcadas, furar filas de esperas, perdoar multas, sonegar dívidas, aprovar projetos...
- Tiririca e todos que ele representa querem tirar Dilma porque eles ficaram abestados.
- oposição quer tirar Dilma porque não tem projeto de governo melhor.
- oposição quer tirar Dilma porque ela e Lula fizeram bons governos e eles terão poucas chances nas urnas.
- oposição quer tirar Dilma porque eles perderam por 4 vezes e não conseguem cumprir o que prometeram para quem os financiou.
- oposição quer tirar Dilma porque as investigações chegaram neles.
E quando querem tirar Dilma, querem tirar o Lula e toda a esquerda, porque o que está em jogo para estes é o que eles "perdem" (mesmo que ganhem de outra forma, "não vem ao caso"), mas sempre pensando só neles, SOMENTE NELES.

( Marcelo Schmitt - 01/05/16 )

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

tecnologias da informação e comunicação - TICs

TICs - tecnologias da informação e comunicação

 

"A tecnologia tem um papel importante no desenvolvimento de habilidades para atuar no mundo de hoje"  Marcia Padilha Lotito


TICs - Cada vez mais, parece impossível imaginar a vida sem esta ferramenta!

Entre os estudantes a chegada dos computadores, da internet, celulares, datashow, notebook, netebook, emails, blogs em sala de aula traz  uma inquietação. Parece que, o seu mundo está sendo invadido não só pela família, mas, também pela escola. Encontra-se resistência para informar dados como seu email, a socialização de seu produto pedagógico em blog, não entende como, um professor poderá usar deste equipamento a serviço do conteúdo. Isto é normal, pois ainda é novo, confuso, incompreensível, pensar que a união da tecnologia com a escola  surgem oportunidades de ensino significativas.

"Entre os professores, a disseminação de computadores, internet, celulares, câmeras digitais, e-mails, mensagens instantâneas, banda larga e uma infinidade de engenhocas da modernidade provoca reações variadas". "...expectativa pela chegada de novos recursos? Empolgação com as possibilidades que se abrem? Temor de que eles tomem seu lugar? Desconfiança quanto ao potencial prometido? Ou, quem sabe, uma sensação de impotência por não saber utilizá-los ou por conhecê-los menos do que os próprios alunos?"

TICs -  fundamentais para aprender mais e melhor! 

Contudo, preste atenção: os resultados são melhores quando é considerada a didática específica de cada área.

 Confira mais no link abaixo: 

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Como melhorar o metabolismo de sua tireoide?




A glândula tireoide tem grande importância para a nossa saúde.
Se ela não funcionar bem, o organismo ficará bastante perturbado.
A tireoide produz hormônios essenciais para que tenhamos energia e disposição.
Esses hormônios são responsáveis ​​por controlar o ritmo de muitas atividades realizadas pelo organismo.
Entre essas atividades, estão a velocidade de queima de calorias e os batimentos do coração.
As doenças que atingem a tireoide afetam aproximadamente 300 milhões de pessoas no mundo, porém mais da metade dos casos não são diagnosticados.
No Brasil, cerca de 15% da população sofre com problemas nessa glândula, sendo uma das doenças que mais atinge os brasileiros, principalmente as mulheres, de acordo com o censo do IBGE.
A alimentação desempenha papel fundamental para a prevenção e o combate de problemas na tireoide.
A principal causa de problemas na tireoide é o iodo.
Às vezes é por falta desse nutriente, outras vezes por excesso
Quando é por falta de iodo, temos o hipotireoidismo.
E o excesso, o hipertireoidismo ou, o que é pior, câncer de tireoide.
Aqui no Brasil, a população está consumindo muito iodo.
Isso se deve ao exagero do consumo do sal comum.
Foi por isso que a a Agência Nacional de Vigilância Sanitária publicou uma resolução obrigando os fabricantes de sal a diminuir a quantidade de iodo.
A melhor forma de obter iodo sem exagero é pelo consumo de frutos do mar, verduras escuras e frutas.

Agora você vai saber quais os melhores alimentos para a tireoide:
1. Peixe

Crie o hábito de comer peixe, principalmente de águas frias e profundas do oceano.Além de ricos em ácidos graxos ômega-3, são excelentes fontes de iodo, fundamental para o funcionamento da glândula tireoide, bem como de minerais como selênio e magnésio.
Atenção!
O mercúrio pode ser encontrado em níveis elevados em alguns tipos de peixe, como o peixe-espada, o atum e o espadarte (peixes de água profunda).
A Food Standards Agency do Reino Unido aconselhou as mulheres grávidas e as crianças a não consumir esses tipos de peixe, pois o mercúrio pode danificar o sistema nervoso do feto e aumentar o risco de envenenamento em crianças pequenas.
Os peixes com maior teor de mercúrio são o cação, o peixe-espada (branco e preto), o espadarte e o atum.
Os peixes grandes e predadores de águas profundas são mais ricos em mercúrio do que os peixes pequenos.
Por isso, é bom evitar os peixes anteriormente citados (não comer mais de duas vezes por semana) e o fígado de todos os peixes, bem como preferir os peixes pequenos. Esta regra é válida sobretudo para as mulheres grávidas.
2. Alimentos ricos em iodo

O iodo é necessário, em pequenas quantidades, para a função da glândula tireoide, assim como para o metabolismo das gorduras, produção de hormônios sexuais e uma série de processos bioquímicos.
Cãibras musculares, dores de cabeça, depressão, pés frios, mãos geladas e ganho de peso podem ser sinal de deficiência dessa substância. Deficiências de iodo podem aumentar a suscetibilidade para doenças como câncer de mama e pólio.
Alguns alimentos ricos em iodo:

frutos do mar; algas marinhas; sal integral; caldo de peixe caseiro; abacaxi; alcachofra; aspargos; verduras de coloração mais escura.
Para que possa ser utilizado pelo organismo, o iodo requer níveis adequados de vitamina A.
O iodo em excesso pode ser tóxico para o organismo, por isso não se recomenda o consumo excessivo de algas ou de sal iodado (o sal comum, que a maioria dos brasileiros consome).
Considerações sobre as algas

Quanto às algas marinhas, embora elas sejam ricas em iodo e uma série de outros minerais, seu consumo excessivo pode causar intoxicação pelo próprio iodo.
Além disso, algumas pessoas não têm a enzima capaz de digerir o carboidrato complexo presente nas algas e muitas algas comerciais são tratadas com pesticidas e fungicidas durante o processo de secagem e armazenamento, razão pela qual é importante se conhecer os métodos utilizados pelo fabricante da alga.
Por fim, recomenda-se deixar as algas in natura de molho por um período de 6 horas, a fim de auxiliar a digestão.
3. Caldo de cabeça de peixe

Prepare caldo de peixe em casa, à moda dos nossos ancestrais, utilizando carcaça e cabeça, ricas em minerais, inclusive iodo. Além disso, a cabeça de peixe é fonte direta de hormônios da tireoide, além de outras substâncias que nutrem essa glândula. Quatro mil anos atrás, os médicos chineses rejuvenesciam seus pacientes idosos com sopa feita com a tireoide de animais. Segundo os textos antigos, esse tratamento ajudava os pacientes a se sentir remoçados, com mais energia e capacidade mental.
Na Inglaterra do período vitoriano, os médicos prescreviam sanduíches especiais de tireoide crua para seus pacientes mais doentes. Esse sanduíche não oferece o menor apelo ou atração para nosso paladar, mas as sopas e os molhos feitos com caldo de peixe caseiro são uma delícia! Um “remédio” impossível de recusar!
4. Ova de peixe
Inclua ovas de peixe na sua alimentação. As ovas sempre foram valorizadas pelos povos primitivos pela sua capacidade de prevenir problemas da tireoide, promover a fertilidade e nutrir mulheres grávidas e crianças em fase de crescimento.
5. Verduras cruas
Algumas verduras cruas contêm substâncias naturais chamadas glucosinolatos, que podem interferir negativamente na produção de hormônios da tireoide. Entre essas verduras estão repolho, brócolis, couve-de-bruxelas, couve-flor e espinafre. Para neutralizar esse efeito potencialmente prejudicial à tireoide, basta cozinhar essas verduras, ligeiramente, no vapor, em água ou em sopas. Ocasionalmente, pode-se – e até se deve – consumir essas verduras cruas, pois somente quando cruas elas têm importantes propriedades anticâncer (por causa daqueles mesmos glucosinolatos, que são neutralizados pelo cozimento). A sabedoria está em não consumi-las cruas diariamente, mas sim ocasionalmente.
Lembre-se: prefira as verduras sem agrotóxico ou, na impossibilidade de tê-las, está uma receita que, pelo menos, diminuirá a presença de venenos agrícolas.
6. Grão, cereais e sementes integrais
Consuma grãos, cereais e sementes integrais que tenham sido deixados de molho por 7 a 24 horas, em água com gotas de limão ou 1 colher (sopa) de soro de iogurte. Faça isso com feijão, arroz integral, grão-de-bico, lentilha, trigo, aveia e todos os grãos e cereais que você consumir. Esse procedimento neutraliza substâncias potencialmente prejudiciais à tireoide, denominadas antinutrientes. O único grão que não obedece a essa regra é a soja, pois seus antinutrientes não são neutralizados por tais procedimentos. Por essa razão, seu consumo deve ser evitado ao máximo.
7. Sal integral
Consuma sal integral, ou seja, que contém iodo na sua forma natural. Os melhores são o sal do Himalaia e o sal de Guérande (vendem-se em delicatessens, em lojas de produtos naturais e em bons supermercados).
8. Sol
São muito importantes a atividade física e os banhos de sol. O sol é fonte de vitamina D. E um estudo provou que os níveis de vitamina D eram significativamente mais baixos em pessoas que sofrem de hipotireoidismo.

9. Óleo de coco

O óleo de coco é excelente para a tireoide, especificamente para o hipotireoidismo. No livro "Óleo de Coco, a gordura saudável", do dr. Wilson Rondó, encontramos a seguinte informação:- O óleo de coco melhora a função da tireóide.Quando as pessoas com hipotireoidismo (produção insuficiente de hormônio tireoidiano) começam a consumir o óleo de coco, elas frequentemente referem aumento de energia pela melhora da função tireoidiana.
Muitos individuos que sofrem com problemas de tireoide são capazes de eliminar a medicação para tireoide até completamente quando começam a consumir óleo de coco. Obviamente você não deve nunca suspender a medicação sem consultar seu médico.
10. Abacaxi
O abacaxi contém em abundância a bromelina. Essa enzima reduz a inflamação, por isso ajuda em alguns distúrbios da tireoide

E OS VILÕES DA TIREOIDE

Minimize o consumo de açúcar e farináceos, pois altos níveis de açúcar no sangue podem desregular o funcionamento desta glândula. Este é um blog de notícias sobre tratamentos caseiros. Ele não substitui um especialista. Consulte sempre seu médico.

Fonte: www.curapelanatureza.com.br

Sinais ocultos de Alzheimer e como previnir a doença





O mal de Alzheimer se desenvolve lentamente e, por isso, muitas famílias acabam não sabendo se o problema de esquecimento é resultado da doença ou é apenas a velhice.

Sinais de alerta para esta terrível doença:

1. Perda de memória: esquecer ocasionalmente nomes é normal, mas quem tem Alzheimer esquece cada vez mais coisas ao longo do tempo.

2. Dificuldade em realizar tarefas do cotidiano.

3. Problemas com a linguagem: o vocabulário fica cada vez mais curto e difícil de compreender.

4. Sensação de que está perdido e sozinho, mesmo em meio à família.

5. Comportamentos estranhos, como sair de casa com roupas íntimas.

6. Passividade: quem sofre de Alzheimer tende a esquecer as coisas que gostava de fazer e acaba ficando muito tempo sentado em frente à televisão.

7. Problemas de raciocínio para executar simples tarefas, como usar um cartão de crédito ou preencher uma folha de cheque.

8. Perda do senso, como colocar as chaves no congelador.

9. Mudança repentina de humor, indo da calma à fúria sem nenhum motivo.

10. Tristeza cada vez maior.

"Uma pessoa bastante idosa pode esquecer frequentemente onde deixou as chaves.Mas alguém que sofre com Alzheimer, quando encontra o que está perdido, não faz ideia do que se trata".

Como podemos prevenir esse mal?

Etimular a mente com jogos como xadrez e palavras-cruzadas...

Há uma estreita relação entre o cérebro e a saúde do coração. Ou seja, à medida que se aumenta o risco de doença cardiovascular, também se aumenta o risco de Alzheimer. Portanto, tudo o que diminui o risco de problemas cardíacos, também previne a doença do esquecimento.

O que evitar para ficar mais protegio?

1. Fumo: os fumantes têm o dobro de chances de desenvolver Alzheimer.

2. Colesterol ruim alto, que dificulta a circulação em todo o corpo.

3. Pressão arterial elevada

4. Obesidade

5. Diabetes

6. Gordura de origem animal em excesso

7. Bebida alcoólica em excesso

Medidas de proteção contra a doença:


- Exercício físico

- Dieta baseada em frutas e legumes

- Consumo adequado de antioxidantes como ômega 3 e vitaminas C e E
.


segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

O Começo da Vida



A HUMANIDADE SÓ SERÁ MELHOR SE CUIDARMOS DA PRIMEIRA INFÂNCIA...EU TAMBÉM ESTOU NESSA DE LEVAR ESSE MOVIMENTO DO FILME E A CAUSA PARA MAIS PESSOAS NO BRASIL E NO MUNDO




O Filme "O Começo da Vida" iniciou um movimento pela causa da primeira infância, período que vai do nascimento aos seis anos, para mostrar a importância dos primeiros anos de vida na formação de cada indivíduo, pois a Ciência nos traz evidências de que o pleno desenvolvimento no começo da vida é essencial para a construção de uma sociedade mais justa. Acreditamos que mudar o começo da história é mudar a história toda.
O documentário retrata famílias de diferentes culturas, nacionalidades e realidades socioeconômicas revelando aquilo que nos torna diferentes e o que é essencial para todos. É uma produção da Maria Farinha Filmes, com direção de Estela Renner, e percorreu os quatros cantos do mundo para mostrar que os primeiros anos na vida da criação são cruciais para uma sociedade mais justa e fraterna. O filme está sendo exibido na plataforma VideoCamp e na Netflix.
Refletamos junt@s, enquanto sociedade: será que estamos cuidando bem deste momento único da vida que determina tanto o presente quanto o futuro da humanidade? “Como posso contar bem aventurança se o começo da vida não é levado em conta?”
As relações mãe, pai, filho e a importância desses vínculos para o bom desenvolvimento da criança.
O universo conspira para que haja uma mudança significativa na relação pais e filhos. Ser pais que estão aí para os filhos em todas as horas, pais humanizados, empoderados e participativos, é não esta à toa no mundo.
Pensar na infância dos nossos filhos, na infância que tivemos, poder conversar abertamente com nossos pais e conhecer suas histórias, apenas torna-nos mais fortes e menos preconceituosos diante da diversidade da vida
“Os seres humanos aprendem mais – e mais rápido – da gestação aos três anos do que em todo o resto de suas vidas”
A gente não pode ser pai, sem antes ser filho, sem antes ser neto. A gente constrói a nossa vida, a nossa percepção do mundo em acordo com o modo em que fomos apresentados ao mundo e nossos guias são os pais, a família. Passar valores não é “fulaninho você tem que fazer tal coisa como eu faço”, e sim permitir que essa criança observe, absorva e participe ativamente da família. Entender que tudo é aprendizado para a criança. O contato, o brincar, o tempo, a contemplação, a birra tudo é instrumento para o fortalecimento cognitivo e emocional da criança. A infância é tão fundamental na construção do ser humano e, ao mesmo tempo, passa tão rápido que por vezes deixa de ganhar a devida importância. Criança precisa de cuidado e não de negligencia.
Qualidade precisa de quantidade, afeto cura e educa, diálogos olhos nos olhos fazem toda a diferença, entrar no mundo infantil é participar ativamente e contribuir para o fortalecimento da segurança da criança no universo.
A percepção de que o mundo possui os dois lado ou até mais é necessaário na formação do ser humano.Por isso é importante a participação do pai na apresentação do mundo além da visão da mãe, no enraizamento pelo contato com os avós, a sensação de pertencimento a algum lugar, o valor do lúdico, o brincar livremente e sem o condicionamento do adulto, permitir o uso do espaço e do nele contido para a criança criar, a importância do exemplo, o comprometimento das famílias com os pais da criança e com a própria criança, que família vai muito além das figuras mulher e homem, e, claro, o papel fundamental da sociedade (governos, entidades, organizações não governamentais, pessoas de bem) no levante para desencadear a transformação que o mundo reclama.

“Nossos bebês são lindas sementes e é nosso papel, enquanto sociedade, preparar o solo e tornar a terra fértil para ver brotar e florescer todo o seu potencial.

A seguir, entrevista da psicalista Vera Iaconelli sobre as relações mãe, pai e filhos. Vera é uma das especialistas que dão seu depoimento no filme “O Começo da Vida”. Neste post, Vera discute temas como as novas estruturas familiares, a maternidade, a paternidade e os preconceitos que ainda persistem nessas relações.
Fundação Maria Cecília Souto Vidigal – No filme “O Começo da Vida”, você faz vários depoimentos. Em um deles você define bem as relações mãe, pai, filho e a importância desses vínculos para o bom desenvolvimento da criança.
Vera Iaconelli – Bate-se muito na tecla mãe e bebê, mas existe o pai e outros agentes do entorno para participar do desenvolvimento da criança. No caso do pai, ele é o lastro e o trampolim para a coletividade, porque mostra à criança que a vida vai além da mãe. Ainda vivemos uma idealização feroz da maternidade e, ao mesmo tempo, uma desconstrução de alguns paradigmas. No entanto, temos de saber a medida certa, tomar cuidado para não exagerar, não normatizar, para não trocarmos simplesmente uma norma por outra.
FMCSV – Uma idealização que ressalta a mãe supermulher, que dá conta de tudo…
VI – Exatamente. Fantasia-se demais sobre essa figura, colocando o bebê sob seus cuidados, desonerando todos os outros da responsabilidade pela criança, seja o pai, os familiares ou o Estado. É claro que existem interesses econômicos em jogo aí também. Há também uma visão de pais e mães como heróis, uma idealização que nos é muito cara, porque esses pais e mães acabam tendo muita dificuldade de sair desse lugar narcísico. Essa onipotência cria dificuldades para fazermos pelos nossos filhos o que é possível em uma conjuntura social que é individualista. Hoje os pais de diferentes famílias não se ajudam, não trocam. Quando acontece algo com os filhos, eles correm até o especialista, fazem pesquisas na internet, mas não se conversam. Não se colocam entre pares.
FMCSV – No caso da mãe, parece que essa idealização é mais potencializada
VI – O nascimento do bebê é a fase onde essa idealização é mais clara. Ouve-se muito que ser mãe é alcançar a plenitude da mulher, que ao olhar para o recém-nascido ela pensa “sempre te amei”. Mas a realidade não é essa. O bebê é desconhecido até nascer e leva um tempo para vir a sê-lo. Nem a mãe, nem as pessoas a sua volta entendem, de fato, o que é o parto, ter um bebê, adotar uma criança. Tudo isso é um estranhamento natural estrutural necessário. Além disso, a mulher passa por uma série de experiências muitas vezes traumáticas. Várias mães sofrem violência obstétrica, passam por constrangimentos, em alguns casos, são medicadas sem necessidade, atos que denotam negligência sobre o corpo da mulher porque acontecem dentro de uma instituição que, a priori, deveria cuidar dessa mãe. Tudo isso dificulta o encontro delicado entre mãe e bebê. Não esqueçamos que essas experiências também têm efeitos sobre os pais, embora nunca se fale disso.
FMCSV – Falando em pai, como ele fica nessa história? Cada vez mais há o entendimento de que ele deve participar de tudo, desde o pré-natal, mas nem todos ainda aderiram a essa postura.
VI – Muitos ainda acreditam que o papel do pai é “ajudar” a mãe. Na verdade, ele tem o mesmo compromisso de cuidar da criança. Precisamos conscientizá-lo disso. Historicamente, os homens são criados para acreditar que não têm competências para a paternidade. Na infância, por exemplo, não são autorizados a brincar com bonecas, de casinha, ainda que o desejem. A maneira como são educados dá a entender que essas tarefas são pouco viris, que não são coisas de homem, mas na vida adulta são cobrados a participar, o que é um paradoxo. Eles têm de aprender como ser pais e muitos sofrem preconceitos. Aqueles que ultrapassam essa barreira, às vezes têm de vencer outra: o ressentimento da mãe que acha que ela deveria dar conta de tudo sozinha, ou seja, que uma boa mãe não precisaria de ajuda para cuidar do filho. Isto tem efeitos sobre o casal, pois a entrada do homem nos cuidados com a criança pode ser atrapalhada, especialmente se o pai sabe como agir, quando esbarra na fantasia de onipotência da mãe, essa idealização de perfeição que ela carrega. Nesse desencontro, muitos casais se separam ou ficam estremecidos. Quando os casais se dedicam aos filhos equilibradamente, as chances da relação dar certo são bem maiores. Ainda há muita confusão nessa comunicação entre mãe e pai, mas a tendência é melhorar. Por isso, é essencial que existam políticas públicas que apoiem as famílias, oferecendo condições para que assumam os seus papeis.
FMCSV – No filme “O Começo da Vida” você chama atenção às novas configurações familiares e como é importante vencer preconceitos.
VI – Com certeza. O preconceito é algo que perpassa a todos e que precisa ser enfrentado diariamente. A arte e a ciência têm importante papel na mudança desse olhar, transformando mentalidades e legitimando as novas configurações. Cada vez mais as pessoas estão trabalhando esses conceitos de família e não tem como ser diferente porque as crianças que vivem nelas estão aí, dando certo. Não adianta mais bater na tecla de que isso não funciona, porque funciona, sejam casais homoafetivos, pais solteiros, crianças criadas por avós ou em instituições. Estamos no momento de sustentar tudo isso para que a criança sinta que de onde ela vem é um lugar digno. Se a família é a catapulta para o coletivo e se o coletivo não acolhe essa criança, é porque nós estamos errados, sendo preconceituosos. As condições para criar uma criança não passam pelo casal heterossexual. Para gerar um filho precisamos de um homem e de uma mulher nascidos como tais, mas isso não diz nada do gênero (homem, mulher, trans…) ou da orientação sexual (hetero, homo, bi…). Não existe vínculo masculino, feminino, homossexual ou heterossexual. Existe, e tem que existir, afeto, amor, diálogo e respeito.

Vera Iaconelli é psicanalista, mestre e doutora em psicologia pela USP, autora do livro “Mal-estar na maternidade” (Annablume, 2005), diretora do Instituto Gerar de psicologia perinatal e parental e membro do fórum do campo lacaniano.

Um apelo: Assista!
http://ocomecodavida.com.br/








quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Processo de Escolha de Diretor(a) Escolar



Processo de Escolha de Diretor(a) Escolar: Democracia Representativa X Democracia Participativa
Por Maria do Socorro de Oliveira Pinto Patrício – Pedagoga


Reivindicar a democratização da educação pública deve ser uma bandeira de luta dos profissionais da educação. Nos diversos recantos do País, há muitas formas de escolher um diretor escolar que perpassam a indicação pura e simples feita pela classe política, passando pela indicação por meio de lista tríplice, concurso para gestores e eleição direta por meio do voto da comunidade escolar. Nesse sentido, as associações de profissionais dos vários segmentos têm alargado os seus fins para além dos objetivos sindicais e corporativos, buscando ser instrumento de conscientização da categoria para a mudança da sociedade no sentido de uma maior participação e autonomia da comunidade escolar.
À luz da concepção de gestão escolar instituída na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, 9.394/96, acabar com processo de escolha do diretor escolar pelo voto pode ser um retrocesso. Isto, se não evoluirmos da concepção de democracia representativa para a democracia participativa. Retroceder vai de encontro a uma ordem constitucional.
A Constituição Federal estabelece no Art. 37, Parágrafo V, que as funções de confiança (direção, chefia e assessoramento) devem ser exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de cargo efetivo, e os cargos em comissão, a serem preenchidos por servidores de carreira. Por sua vez, o artigo 206, inciso VI, nos garante a efetiva gestão democrática na educação pública.
A participação é um elemento essencial da democracia. Gestores, professores, funcionários, alunos, pais e demais membros da comunidade têm diferentes papéis no processo educativo. Alguns elementos constitutivos de uma gestão democrática:

• Conselho escolar atuante e fortalecido, que acompanhe a vida da escola e do aluno, atuando no cuidado com a aprendizagem e no combate à evasão escolar.

• Incentivo à participação das famílias, não apenas em reuniões periódicas, mas em decisões que afetem a vida dos alunos, como obras na escola, uso de uniforme e definição de normas de organização e disciplina.

• Incentivo e fortalecimento de possibilidades de participação de alunos em atividades socioculturais ou voltadas para a participação na gestão escolar.

• Formas diversas de decisão coletiva no que diz respeito às práticas pedagógicas da escola.

Exercer a cidadania e favorecer a democracia participativa dá trabalho, consome recursos e tempo. Aprofundar a democracia e transformá-la no meio de revolucionar o país, conduzindo-a a realidade sócio-política por intermédio de um genuíno processo democrático vai exigir muito de todos nós em tarefas de organização, discernimento, criatividade, solidariedade e civismo.
Em passado remoto, a sociedade e a educação brasileira tiveram um período negro e autoritário marcado pela indicação política como, por exemplo, a forma de escolha do diretor(a) escolar. Com a redemocratização do País a partir da década de 80, a forma de eleição direta por meio do voto da comunidade escolar foi uma conquista de todos. Da década de 90 até hoje, os diversos processos de escolha de diretor(a) escolar tem sido marcados por contradições e pelo aprofundamento de estudos de concepções de gestão escolar de caráter gerencial ou de caráter empresarial, com referenciais teóricos para a organização do trabalho pedagógico
A democracia é soberania popular, é construção de uma comunidade participativa, é igualdade. “Uma verdadeira democracia é um processo que implica não só modificações políticas, mas também modificações econômicas e sociais.” (COUTINHO, 2000, p.129). E a escola é uma instituição necessária para a democratização da sociedade, cabendo a ela fazer com que os alunos se apropriem do conhecimento.
A concepção gerencial da gestão escolar, mesmo utilizando-se de práticas eleitorais da democracia representativa com a escolha dos gestores feita através do voto, como foi o caso das escolas públicas do Estado da Paraíba e do Município de João Pessoa até recentemente, contribuía e reforçava a forma contraditória de reprodução social das relações de dominação no interior da escola, historicamente determinadas pela forma do trabalho capitalista.
Se quisermos encontrar alternativas à atual situação, a sociedade precisa gerar novas organizações e valores, criar estruturas e formas de manifestação e expressão de interesse da maioria dos cidadãos, fora do atual quadro de poderes manipuladores da opinião pública. Para passar da democracia representativa, mediada pelos interesses econômicos e grupos políticos que são a sua expressão, à democracia participativa, é preciso ir muito além da participação na votação periódica de dois em dois anos ou equivalente. Para conseguir que a maioria das pessoas se motive e trabalhe na procura das soluções que lhe interessam, faz-se necessário a efetivação de mecanismos eficazes de participação no âmbito da escola e o comprometimento da prática escolar com seus resultados na vida social. Isto não se faz se não for por intermédio de um Conselho Escolar atuante. Assim é que desvelarão os caminhos da melhoria da qualidade de ensino que se almeja.
João Pessoa, 08 de Dezembro de 2016.

sábado, 12 de novembro de 2016

RETROCESSO NA DEMOCRACIA BRASILEIRA ATINGE AS ESCOLAS PÚBLICAS


O Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) acatou duas ações do Ministério Público Estadual e julgou como inconstitucionais as leis do estado da Paraíba e do município de João Pessoa que tratam de eleições diretas para diretores e vice-diretores das escolas estaduais e municipais. A decisão proferida pelo Tribunal de Justiça torna inconstitucionais a Lei Estadual nº 7.983/2006 e a Lei Municipal nº 11.091/2007, por subtraírem o direito, assegurado na Constituição Estadual, atribuído ao governador e ao prefeito em relação à escolha dos dirigentes dos estabelecimentos públicos de ensino.
“São inconstitucionais as hipóteses legais que estabelecem eleições diretas para direção de instituições de ensino mantidas pelo Poder Público, com a participação da comunidade escolar, por suprimir a prerrogativa privativa do chefe do poder executivo para prover cargo em comissão. Suprimidas dos ordenamentos jurídicos estadual e do Município de João Pessoa as hipóteses legais que impõem ao Governador do Estado da Paraíba e ao Prefeito do Município de João Pessoa a nomeação dos candidatos escolhidos pelas comunidades escolares para os cargos de diretores e vice-diretores, tornam-se inócuas as regras do processo eletivo, impondo a aplicação da técnica da inconstitucionalidade por arrastamento”, diz o acórdão do TJPB.
A ação de inconstitucionalidade das eleições partiu do Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal que aprovou o pedido de liminar com ação direta ele inconstitucionalidade suspendendo os efeitos da Lei de gestão Democrática nas escolas públicas que acatou um pedido da Procuradoria Geral do Distrito Federal, que por sua vez se baseou em representação do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas do DF. Na avaliação do procurador, apoiada pelo voto do relator, “a Lei de Gestão Democrática alterou o regime constitucional de provimento das funções em comissão, já que a Constituição diz que a escolha independe de concurso público, bem como de qualquer processo de seleção, seja por meio de via eletiva ou em razão de concurso interno”.
O fato de a liminar não manter a obrigatoriedade do pleito não impede que o prefeito o faça, pois a Lei de Gestão Democrática, por sua vez, tem amparo na mesma constituição de 1988, em seu Art. 206, estabelece que o ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: inciso VI – “gestão democrática do ensino público, na forma da lei”. Por sua vez, a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), artigo 3º, inciso VIII, também garante que “o ensino será ministrado com base no principio da gestão democrática do ensino público”.
A nomeação e a eleição direta para escolha de gestores nas escolas municipais de João Pessoa acontecem desde o ano de 1999, pela Lei Ordinária Nº 8999, de 27 de dezembro de 1999, revogada pela Lei Nº 11.091, de 12 de julho de 2007.
É preocupante essa decisão. A justiça fere mortalmente o que mais defendemos que é a construção de gestões democráticas. O fato da comunidade escolar não poder mais participar desse importante processo pode resultar em medidas muitos graves e em um futuro breve poderemos ter escolas que enalteçam o preconceito, a intolerância, o conformismo, a “escola sem partido”. Esse livre provimento pode também atingir o cargo da carreira do magistério.
É retrocesso o que estão fazendo com a educação do nosso país. Com essa decisão, o critério deixa de ser o da competência para ser político. O cargo passa para a carreira política e qualquer cabo eleitoral poderá ser indicado.
Sou a favor da realização de eleições diretas para escolha dos diretores das escolhas públicas porque a Lei de Gestão Democrática estabelece critérios para o preenchimento dos cargos de direção das escolas. Para ser diretor, é preciso ser licenciado, pertencer à carreira do magistério, ter no mínimo dois anos de experiência, apresentar um projeto de gestão administrativa, pedagógica e financeira e fazer um curso de no mínimo 180 horas.
Não podemos ficar inertes. Temos que lutar contra essa onda conservadora que quer limitar o debate democrático nas escolas e isso passa pelas eleições dos gestores. A nossa democracia está se esvaindo pelo ralo. É chegada a hora de educadores e estudantes defenderem nas ruas o direito à democracia, para exigir dos deputados federais e senadores da Paraíba a aprovação de emenda constitucional, em caráter de urgência urgentíssima, no Congresso Nacional, que assegure a realização de eleições diretas para provimento de cargos comissionados nas diretorias de escolas públicas, com a participação da comunidade escolar.


quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

“Nunca tivemos uma geração tão triste”





“Nunca tivemos uma geração tão triste”

Augusto Cury, o famoso psiquiatra que tem livros publicados em mais de 70 países e dá palestras para multidões no Brasil e lá fora, lançou recentemente uma versão para crianças e adolescentes do seu best-seller Ansiedade - Como Enfrentar o Mal do Século. O autor conversou com a gente sobre os desafios de se criar os filhos hoje e não poupou críticas à maneira como a família e a escola têm educado os pequenos. Confira!

Excesso de estímulos
“Estamos assistindo ao assassinato coletivo da infância das crianças e da juventude dos adolescentes no mundo todo. Nós alteramos o ritmo de construção dos pensamentos por meio do excesso de estímulos, sejam presentes a todo momento, seja acesso ilimitado a smartphones, redes sociais, jogos de videogame ou excesso de TV. Eles estão perdendo as habilidades sócio-emocionais mais importantes: se colocar no lugar do outro, pensar antes de agir, expor e não impor as ideias, aprender a arte de agradecer. É preciso ensiná-los a proteger a emoção para que fiquem livres de transtornos psíquicos. Eles necessitam gerenciar os pensamentos para prevenir a ansiedade. Ter consciência crítica e desenvolver a concentração. Aprender a não agir pela reação, no esquema 'bateu, levou', e a desenvolver altruísmo e generosidade.”
Geração triste
“Nunca tivemos uma geração tão triste, tão depressiva. Precisamos ensinar nossas crianças a fazerem pausas e contemplar o belo. Essa geração precisa de muito para sentir prazer: viciamos nossos filhos e alunos a receber muitos estímulos para sentir migalhas de prazer. O resultado: são intolerantes e superficiais. O índice de suicídio tem aumentado. A família precisa se lembrar de que o consumo não faz ninguém feliz. Suplico aos pais: os adolescentes precisam ser estimulados a se aventurar, a ter contato com a natureza, se encantar com astronomia, com os estímulos lentos, estáveis e profundos da natureza que não são rápidos como as redes sociais.”

Dor compartilhada
“É fundamental que as crianças aprendam a elaborar as experiências. Por exemplo, diante de uma perda ou dificuldade, é necessário que tenham uma assimilação profunda do que houve e aprender com aquilo. Como ajudá-las nesse processo? Os pais precisam falar de suas lágrimas, suas dificuldades, seus fracassos. Em vez disso, pai e mãe deixam os filhos no tablet, no smartphone, e os colocam em escolas de tempo integral. Pais que só dão produtos para os seus filhos, mas são incapazes de transmitir sua história, transformam seres humanos em consumidores. É preciso sentar e conversar: ‘Filho, eu também fracassei, também passei por dores, também fui rejeitado. Houve momentos em que chorei’. Quando os pais cruzam seu mundo com os dos filhos, formam-se arquivos saudáveis poderosos em sua mente, que eu chamo de janelas light: memórias capazes de levar crianças e adolescentes a trabalhar dores perdas e frustrações.”

Intimidade
“Pais que não cruzam seu mundo com o dos filhos e só atuam como manuais de regras estão aptos a lidar com máquinas. É preciso criar uma intimidade real com os pequenos, uma empatia verdadeira. A família não pode só criticar comportamentos, apontar falhas. A emoção deve ser transmitida na relação. Os pais devem ser os melhores brinquedos dos seus filhos. A nutrição emocional é importante mesmo que não se tenha tempo, o tempo precisa ser qualitativo. Quinze minutos na semana podem valer por um ano. Pais têm que ser mestres da vida dos filhos. As escolas também precisam mudar. São muito cartesianas, ensinam raciocínio e pensamento lógico, mas se esquecem das habilidades sócio-emocionais.”

Mais brincadeira, menos informação
“Criança tem que ter infância. Precisa brincar, e não ficar com uma agenda pré-estabelecida o tempo todo, com aulas variadas. É importante que criem brincadeiras, desenvolvendo a criatividade. Hoje, uma criança de sete anos tem mais informação do que um imperador romano. São informações desacompanhadas de conhecimento. Os pais podem e devem impor limites ao tempo que os filhos passam em frente às telas. Sugiro duas horas por dia. Se você não colocar limite, eles vão desenvolver uma emoção viciante, precisando de cada vez mais para sentir cada vez menos: vão deixar de refletir, se interiorizar, brincar e contemplar o belo.”

Parabéns!
“Em vez de apontar falhas, os pais devem promover os acertos. Todos os dias, filhos e alunos têm pequenos acertos e atitudes inteligentes. Pais que só criticam e educadores que só constrangem provocam timidez, insegurança, dificuldade em empreender. Os educadores precisam ser carismáticos, promover os seus educandos. Assim, o filho e o aluno vão ter o prazer de receber o elogio. Isso não tem ocorrido. O ser humano tem apontado comportamentos errados e não promovido características saudáveis.”
Conselho final para os pais
“Vejo pais que reclamam de tudo e de todos, não sabem ouvir não, não sabem trabalhar as perdas. São adultos, mas com idade emocional não desenvolvida. Para atuar como verdadeiros mestres, pai e mãe precisam estar equilibrados emocionalmente. Devem desligar o celular no fim de semana e ser pais. Muitos são viciados em smartphones, não conseguem se desconectar. Como vão ensinar os seus filhos e fazer pausas e contemplar a vida? Se os adultos têm o que eu chamo de síndrome do pensamento acelerado, que é viver sem conseguir aquietar e mente, como vão ajudar seus filhos a diminuírem a ansiedade?”

Fonte: M de Mulher



































quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Homenagem a Boa Ventura.avi


Pedro Pinto lembra da importância de Terezinha Óton para Boa Ventura



Recentemente Boa Ventura perdeu uma filha querida: a compositora do hino do município, a senhora Terezinha Oton. E como lembrou muito bem ao blog o senhor Pedro Pinto, ela era inteligente e sensível à arte e à cultura.

De acordo com o ex-prefeito, Boa Ventura Foi emancipada no ano de 1961, mas até o seu segundo mandato, ninguém tinha ainda despertado o interesse de festejar e nem criar uma música em homenagem a independência do município.

No ano de 1973, Pedro Pinto assumia a prefeitura e tinha nomeado Terezinha Oton para o cargo de tesoureira, assim como o fez em seu primeiro mandato, em 1965. “Então, como ela era inteligente e voltada muito à cultura, conversamos sobre festejar o dia da cidade com muita festa, e ela de pronto aceitou, bem como pensar em escrever um hino para essa festa”, disse Pedro ao blog.

Desafio lançado, Têca, como era carinhosamente chamada, preparou uma grande festa, juntamente com dona Paula Cordeiro e outras senhoras da comunidade, bem como apresentou a letra do novo hino de Boa Ventura ao então prefeito, que gostou e oficializou como sendo a composição da terra.

Pedro Pinto contou que foram muitos dias de festa e que era para descontar os anos que se passaram sem ser festejado. “Foi uma programação muito boa, com jogos de futebol, vaquejada, festa no prédio de seu Abraão Diniz e outras atividades”, lembrou.

Alguns anos atrás o jornalista Delcides Brasileiro publicou no folhadovali a seguinte matéria em homenagem a Terezinha Oton:

A autora do hino de Boa Ventura 50 anos depois da histórica composição

Neste dia primeiro de dezembro, data em que Boa Ventura comemora 50 anos de emancipação política, e a Prefeitura agendou uma programação festiva para comemorar a data, merece destaque a senhora Terezinha Oton de Carvalho, 84 anos de idade e autora do hino oficial do município, composto à véspera da publicação do ato de independência político-administrativa boaventurense, em 1962, assinado pelo então governador Pedro Moreno Gondim.

Nascida em Princesa Izabel, veio ainda pequena para Boa Ventura, onde, juntamente com os pais e irmãos, cresceu e plantou amizades, com seu jeito peculiar de cativar as pessoas. Ainda jovem e atraída pela magia da representação, e incentivada pelo seu professor Lindolfo Ramalho, um italiano dotado de sabedoria, deu alguns passos como atriz, contracenando em várias peças de teatro, escrita pelo seu estimado professor, com exibições sempre em frente à pequena igreja católica da época. “Lembro-me muito bem que cheguei a fazer um par romântico com Cláudio Arruda, que anos depois seria o primeiro prefeito eleito em nossa cidade. Era uma época muito boa, inocente e pacata”, recorda.

“Vivi o clima de emoção dos moradores quando da expectativa das notícias da capital dando conta da nossa emancipação, e nessa alegria sentida pelos moradores da vila de São Boa Ventura, com muita felicidade comecei a compor uma música em homenagem a minha terra de coração, que daí em diante tornou-se o hino do município, cantado por todos daqui até os dias atuais. No dia do anúncio oficial, teve uma grande festa e todos se abraçavam emocionados, ao som da homenagem que fiz” diz ela.

Terezinha Oton conta que ocupou alguns cargos importantes na administração municipal, como o de tesoureira em duas ocasiões, bem como a função de servidora responsável pela Junta Militar no município, até se aposentar em 1990. Em várias ocasiões, ela foi homenageada pela população e autoridades, pelo carisma e emoção ao transmitir em forma de música um resumo da história do município.

Hino de Boa Ventura:

Letra e Música – Terezinha Otto de carvalho 
Data da Composição – 02 de dezembro de 1973

Boa Ventura, teu nome é glória no porvir
Teu povo bravo,
Presta homenagem hoje a ti
No teu passado,
Com harmoniosa tradição
Tiveste assim Boa Ventura,
A tua heroica fundação
Boa Ventura, Foste a República da Estrela
Um fato histórico,
Em nossa terra assim ficou
Nos orgulhamos
E exaltamos a bravura
Do Coronel Zuza Lacerda
Que a Republica aqui fundou
Hoje teus filhos, comemora com emoção,

A data magna
Da tua emancipação
Torrão bendito
Que a todos nós vistes nascer
A te queremos até morrer
Com muito amor e gratidão

Congratulamos a esta terra estremecida
Boa Ventura tão querida
Recebe a nossa saudação.

FONTE:
http://itaporangapb.blogspot.com.br/2015/02/pedro-pinto-lembra-da-importancia-de.html

sábado, 28 de novembro de 2015

A alienação e a informação tendenciosa






Em nossos dias é essencial a formação de uma consciência reta sobre a informação. É necessário, sobretudo, que todos os interessados na utilização destes meios de comunicação formem retamente a consciência acerca de tal uso, em especial no que se refere a algumas questões acremente debatidas nos nossos dias. (Inter Mirifica, 5)

Alienação

A pessoa alienada não compreende que é o formador da sociedade e da política, e aceita tudo sem questionar, toma para si algo que não lhe pertence. Em nosso tempo, não se tem ética e nem escrúpulo em alienar a consciência do povo. Por exemplo, existem as agências de propaganda que sabem cientificamente como manipular a cabeça do povo mediante mensagens subliminares que age no inconsciente.

Imprensa tendenciosa</blockquote>

É perceptível que os veículos de comunicação – emissora de TV, Rádio, Imprensa impressa, Portal de internet e etc. – segue uma ideologia, segue uma linha política ou filosófica. Assim sendo, a informação sempre nos chegará a partir deste um foco ideológico peculiar de cada canal de notícias e informações.
Com isso, surge as manipulações de consciência ou alienação.
Exemplos de alienação e manipulações de informações ou notícias:
Manifestações do mês de julho – Uma bonita manifestação democrática, porém um exemplo de como a “massa” está alienada. Não houve mudança de consciência no povo. Resumindo, foi um jogo de interesses políticos, maus explicados, que fizeram as pessoas irem alienadamente para ruas. Muitos nem sabiam a intenção de estar nas manifestações. Foram manipulados por grupos ocultos de pessoas mal intencionadas.

Lobbys sociais
– Tendência geral da imprensa e da sociedade em incutir na cabeça das pessoas algo que não pertencem às suas consciências. Um prova disto, é que foram feitas algumas enquetes em sites e portais, que demonstraram que o povo é contra estes lobbys a favor do aborto, o casamento homossexual, liberação da maconha e etc. Mas mesmo assim é empurrado na consciência do povo, falsas verdades que se transformam em “leis”.
Ibope – O sobe e desce nos índices de aprovação dos políticos ou nas pesquisas de intenção de votos são produzidas mediante uma metodologia que manipula os dados em favor de “alguns”. Exemplo: Entre os muitos erros pesquisas nos últimos processos eleitorais, destaco a de prefeito de Curitiba, no qual o candidato que estava em primeiro lugar, segundo as pesquisas, nem chegou ao segundo turno. Um grande erro ou uma tentativa de manipulação?

Conclusão

Não podemos receber de forma passiva notícias e informações. Devemos ter uma consciência crítica, um filtro, diante de tudo que recebemos. Até mesmo na Igreja, em um curso de teologia, existem posições tendenciosas sobre seguimentos de linhas teológicas. Na dúvida fiquemos com o Magistério, com a voz do Papa, busquemos o verdadeiro pensamento da Igreja. Em tudo devemos ter uma reta formação de consciência para não ser mais um alienado na sociedade, e até mesmo dentro na Igreja.
Forte abraço,
Ademir Costa

FONTE:http://blog.cancaonova.com/diariodeumconsagrado/page/3/