quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Exposição “A Verdade da Repressão, A Memória da Resistência”


Exposição
“A Verdade da Repressão, 
A Memória da Resistência”

Alunos e professores da Educação de Jovens e Adultos da Escola Municipal Frei Albino, localizada no Bessa- João Pessoa-PB/Brasil, participaram no dia 18 de Setembro de 2013 da Exposição “A Verdade da Repressão, A Memória da Resistência”, na Fortaleza de Santa Catarina em Cabedelo-PB


O Professor Tadeu Patrício, Secretário de Cultura de Cabedelo, explica o objetivo da exposição













Os 21 painéis impressos em lona expostos à visitação pública, em espécie de “viagem no tempo”, recupera os primeiros momentos do Golpe de Estado que mergulhou o país numa ditadura de 21 anos, até os grandes comícios populares das “Diretas Já”

A exposição percorreu todas as capitais do Brasil e as cidades onde o episódio da ditadura militar aconteceu com mais frequência envolvendo instituições, entidades e cidadãos dessas cidades na repressão e a resistência a ditadura do Brasil.


Imagens dos tanques militares na frente do Congresso Nacional, as passeatas estudantis, a resistência dos diversos grupos da sociedade civil, a censura de documentos, a violência, prisões e torturas, entre outros painéis estavam expostos à visitação.










Em seguida participaram de  palestra sobre o tema cujos palestrantes: José Emilson Ribeiro e José Calistrato Cardoso, discorreram sobre o golpe militar de 1º de abril de 1964, que depôs o Presidente da República João Goulart, eleito democraticamente pelo povo; violou a Constituição Federal; fechou o Congresso Nacional; cassou mandatos de parlamentares, prefeitos e governadores; invadiu, depredou sindicatos, entidades estudantis e perseguiu lideranças. Apenas em 1964 prendeu cerca de 50 mil pessoas e instalou, com o apoio de segmentos conservadores da sociedade, a ditadura militar que durou até 1985.
O anistiado José Emilson Ribeiro foi líder estudantil na década de 64 a 68 em João Pessoa, presidente da UPES (União Pessoense dos Estudantis Secundários). Passou quatro anos na clandestinidade, foi preso e torturado no Quartel General do IV Exército em Recife - PE, cumpriu sete anos de prisão na Ilha de Itamaracá. Liberto depois da anistia em 1979. Fundador da Comissão Estadual de Anistia da Paraíba, pesquisador da cultura popular e atual presidente do Comitê Civil da Memória, Verdade e Justiça da Paraíba.
Por sua vez, José Calistrato Cardoso Filho fazia parte da Ação Libertadora Nacional (ALN), movimento armado liderado por Carlos Marighella, que era do Partido Comunista. Perseguido, acabou sendo preso e permaneceu na cadeira ao longo de uma década. Neste período foi torturado e humilhado. "Foi um regime muito perverso. O terrorismo da ditadura era uma guerra psicológica diária", lembrou. Para ele, uma das situações mais marcantes daquele período na vida de Calistrato era saber que os companheiros estavam sendo torturados. "Era muito difícil ter consciência de que nada podia fazer para ajudar. Nós, do grupo de Marighella, ainda conseguimos tomar alguns das mãos da repressão. Eu mesmo fui torturado na prisão muitas vezes, porque era ligado à ALN. Chegaram a fazer a proposta de que poupariam minha vida se eu entregasse os colegas". Elçe ainda relatou que alguns companheiros acabaram sendo mortos, vítimas da crueldade do regime, entre eles, Arnaldo Cardoso, que morreu em 1973, em São Paulo. Entre as atrocidades presenciadas por ele, uma cena deixou lembranças dolorosas. Várias crianças foram torturadas na frente dos pais para que eles entregassem os companheiros.
                                        
Mesa composta por: José Emilson Ribeiro - 1º palestrante, José Calistrato Cardoso - 2º Palestrate, Professor Osvaldo da Costa Carvalho - Presidente da Fudação Fortaleza de Santa Catarina, Professor Tadeu - Secretário de Cultura de Cabedelo e anfitrião, Jorge Luiz de Freitas Vilela - Presidente da Associação Artístico Cultural de Cabedelo, Professor de História José Marques de Brito - Presidente da Associação Cabedelense para Cidadania




                                                  

















A Voz da Cultura - Tadeu Patrício: EXPOSIÇÃO RETRATA EPISÓDIOS DA DITADURA MILITAR NO...: A presente matéria tem como objetivo estimular os amigos, amigas e demais estudantes, leitores deste blog, para que visitem a exposição...

sábado, 14 de setembro de 2013

Demolição ou Reforma?

Demolição ou Reforma?

Escola Estadual João Cavalcanti Sula vista  da residência dos Oliveira Pinto
Escola Vista pela parte de trás
Lateral da escola


Após audiência pública realizada no dia 1º de março de 2013 pela comunidade boaventurense com representatividade dos setores público e a sociedade civil de um modo geral em prol da melhoria da infra-estrutura da Escola Estadual João Cavalcanti Sula, oportunidade em que o Estado da Paraíba se fez representar pela 7ª Região de Ensino, foi formalizado na Secretaria Estadual de Educação, no dia 23/04/2013, o processo de número 0012953-2/2013, solicitando reforma geral da Unidade de Ensino. Desde então, o povo da cidade de Boa Ventura convive com incerteza se a reforma tão esperada vai acontecer ou não. 

Segundo informações, o citado processo após ter tramitado pela Cotese-Subgerência de Serviços de Acompanhamento e Manutenção de Obras da SEC, foi encaminhado ao Setor de Orçamento da Suplan - Superintendência de Obras do Plano de Desenvolvimento do Estadoem vista do aumento quantitativo da planilha, objeto da reforma.

No entanto, apesar de movimentos sociais realizados pela população da cidade e nas redes sociais virtuais contra a demolição do prédio, em vista deste ser o único patrimônio histórico da cidade, atualmente o processo encontra-se no Setor de Projetos da Suplan, com parecer técnico sugerindo demolir e construir uma nova escola no local, aguardando apenas levantamento de orçamento para decisão da Suplan em conjunto com a Secretaria de Educação do Estado.

Nesse ínterim, de março a setembro, a escola já recebeu várias visitas de técnicos e engenheiros do estado e até do secretário de obras da Suplan, mas a tal reforma que todos esperam não chega.

Enquanto isso, os alunos da Escola João Cavalcanti Sula estão assistindo aulas amontoados em espaços emprestados na cidade, comprometendo, dessa forma, o ritmo normal de aulas e de aprendizagem dos mesmos.



sexta-feira, 13 de setembro de 2013

MAIS EDUCAÇÃO - Recursos repassados às escolas garantem a jornada integral






Recursos repassados às escolas garantem a jornada integral

Quinta-feira, 12 de setembro de 2013 - 15:47

Resolução do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), publicada na segunda-feira, 9, no Diário Oficial da União destina recursos do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE) para três tipos de ações das escolas públicas que aderiram ao programa Mais Educação. A jornada da educação integral deve ser, no mínimo, de sete horas diárias ou 35 horas semanais.

Um dos repasses é para cobertura de despesas de custeio e capital destinado a todas as escolas do programa. A verba pode ser empregada numa série de ações: aquisição de materiais de consumo, contratação de serviços, ressarcimento de despesas com transportes, pagamento de voluntários, monitores. O valor do repasse, em cota única, varia de R$ 3 mil a R$ 9 mil por escola, de acordo com o número de estudantes registrados no censo escolar no ano anterior. O recurso é para seis meses.

A segunda verba discriminada na resolução é para as 8.562 escolas de educação integral que vão abrir seus espaços para receber a comunidade aos sábados ou domingos, feriados ou férias escolares. O repasse mensal do governo federal será de R$ 1.088,60 para unidades com até 850 estudantes; de 1.217,20 para escolas com 851 a 1.700 alunos; e de R$ 1.345,80 para aquelas com mais de 1.700 estudantes. O repasse será feito durante seis meses.

O terceiro recurso é para as 16 escolas de educação integral que participam do projeto Escola Intercultural de Fronteira. O objetivo é incentivar atividades de intercâmbio cultural, intensificar, melhorar e consolidar o ensino bilíngue. Essa verba deverá ser empregada na aquisição de materiais literários, didático-pedagógicos e de consumo, serviço de transportes de professores e alunos, equipamentos, mobiliário. Escolas com até 400 alunos receberão R$ 15 mil; de 401 a 800, R$ 20 mil; e acima de 800 estudantes, R$ 25 mil.

Mais recursos – De acordo com Leandro Fialho, coordenador de ações educacionais complementares da Secretaria de Educação Básica (SEB) do Ministério da Educação, as escolas do programa Mais Educação recebem outras transferências do governo federal, além dos repasses objeto da Resolução nº 34/2013 do FNDE. Uma delas é para comprar kits para as atividades escolhidas no Plano e Atendimento da Escola. Neste caso, o valor varia de R$ 1.500 a R$ 8 mil por atividade escolhida. No conjunto das ações, segundo Leandro Fialho, a soma dos recursos do programa por escola alcança, em média, R$ 40 mil.

Dados da diretoria de currículos da educação integral da Secretaria de Educação Básica do MEC mostram que 49.581 escolas estão no programa Mais Educação em 2013. Dessas unidades, 29.896 são da área urbana e 19.684 estão no campo.

Os recursos financeiros transferidos pelo FNDE, relativos à resolução, publicada no Diário Oficial da União na segunda-feira, 9, seção 1, páginas 28 a 30, serão depositados em conta bancária específica aberta pelo fundo na mesma agência bancária em que a escola recebe as verbas do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE).
Ionice Lorenzoni
Leia a íntegra da Resolução nº 34/2013



quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Advogado do Prefeito Miguelzinho de Boa Ventura estuda novo recurso junto ao Supremo



Alckmin estuda novo recurso ao Supremo para manter Miguel Filho em Boa Ventura


Jurista entende que no TRE a decisão foi por não verificar dolo do dirigente

O advogado Eduardo Alckmin anuncia ainda no decorrer desta quarta-feira os argumentos que vai utilizar para recorrer da decisão do Tribunal Superior Eleitoral, ontem, não reconhecendo o registro de candidatura do prefeito Miguel Estanislau Filho por falta de recolhimento pelo então presidente da Câmara de quota patronal à Previdência Social. O jurista apelará na instância superior para manter o mandato do prefeito em Boa Ventura.
Alckmin insiste que a reforma de acórdão do Tribunal Regional Eleitoral favorável ao prefeito é “soberano na análise dos fatos e das provas e assentou que na hipótese dos autos, não se teria verificado ato doloso do gestor, presente a circunstancia de que ´se houvesse débito nos anos de 2003 e 2004, o INSS não teria expedido uma CND para a Câmara Municipal no inicio dos anos 2004 e 2005”.
Ele argumenta ainda que há precedentes do TSE, no sentido de que, tendo o Regional reconhecido a falta de dolo, o recurso especial não deve ser provido”.
Já o prefeito Miguel Estanlislau Filho comentou no Portal WSCOM que “vamos nos reunir com o advogado Eduardo Alckmin para a tomada de medidas cabíveis levando em conta o entendimento de que enquanto houver possibilidade de recurso assim procederemos para fazer vingar a decisão do povo”.
Ele disse ter o dever de acatar a decisão da Justiça, entretanto, insiste em recursos para manutenção do mandato.

 


Walter Santos
WSCOM Online

Alckmin estuda recurso para Boa Ventura - Política - Noticia - WSCOM - O Portal de Notícias da Paraíba, Nordeste e Brasil.


sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Os Desafios na Garantia do Direito à Educação EJA




Ação Supervisora e EJA: 
Desafios na Garantia do Direito à Educação


Por Lourdes de Fátima Paschoaletto Possani -Supervisora Escolar da rede municipal de ensino de São Paulo - SP - XXIV Encontro Estadual de Supervisores do Magistério - APASE. Campos do Jordão, maio de 2010.

Uma breve reflexão sobre as questões que envolvem a EJA - Educação de Jovens e Adultos - atualmente, especialmente sobre a evasão e aparente falta de demanda e apresenta alguns desafios para o Supervisor Escolar que concebe como parte de sua função atuar na defesa de garantia do direito à educação escolar de jovens e adultos que querem iniciar ou recomeçar os estudos para concluírem o Ensino Fundamental e acessar níveis mais elevados de escolarização. Considerando o perfil e histórico de vida dos alunos da EJA, marcados pela exclusão fora e dentro da escola, a Ação Supervisora pressupõe uma atuação junto às equipes gestoras das escolas no sentido de encontrar alternativas que ajudem a escola na superação das dificuldades e favoreçam uma prática que legitime o discurso de inclusão nesta modalidade de ensino.

A EJA como direito - Escolarização como direito

Entendendo a Educação de Jovens e Adultos como um direito temos uma concepção hoje que é  diferente daquela que a gente trabalhava com EJA, eu mesmo quando entrei para a educação, que era um pouco da reposição da escolaridade perdida. Hoje nós sabemos que a educação é um direito, tal como a educação especial,que  não é caridade, é um direito, e a gente tem um olhar muito forte ainda de achar que o que a gente está fazendo para a EJA ainda  é um favor que nós estamos fazendo para eles, quando na verdade nós temos que lutar para que esse direito que é dele fosse  garantido.

Falando da educação escolar porque é o espaço aonde a ação supervisora se faz mais presente.

Quais são os pressupostos para a gente falar da Educação de Jovens e Adultos?

 1 – Existe uma exclusão social e existe a exclusão escolar, inclusive nos cursos da educação de Jovens e adultos. Esse jovem e esse adulto que está conosco na escola já vive um processo de exclusão fora da escola. Ele não tem direito a transporte de qualidade, moradia de qualidade (quando ele tem uma moradia),  saúde de qualidade (quando ele tem saúde). Vários direitos lhes são negados. Mas ele sofre também a exclusão escolar. Vamos considerar que nós temos um grande número de pessoas analfabetas ou com pouca escolaridade. E um grupo desses chega à escola, procura a escola por alguma necessidade, e a escola ainda consegue mandar embora esses alunos, seja porque ela fecha as portas para que não entre, e ainda temos um outro elemento, ele estando na escola ele é expulso uma vez mais - termo expulsão usado por Paulo Freire, que não fala de evasão, ele fala nada disso. Ele fala que o aluno é expulso da escola. Ou seja, há uma estrutura escolar que contribua e propicia que esse aluno vá embora novamente. Se nós considerarmos que o Ensino Fundamental que é obrigatório, se o aluno não comparecer, nós temos várias conseqüências, inclusive, nós como supervisores temos que fazer com que a escola vá atrás, etc.,  na educação de jovens e adultos não. Se ele não gostar, se ele for mal recebido, se ele não for atendido nas suas necessidades ele vai embora. E a escola tem que saber que é papel dela sim atendê-los bem, recebê-los bem e oferecer-lhes uma educação de qualidade. E compreender também na área da educação de jovens e adultos como um fracasso do ensino fundamental. Essa afirmação embora parecendo forte, ela é verdadeira, porque, se nós tivéssemos um ensino fundamental desde os anos 90 que conseguiu colocar dentro da escola pelo menos 98% das nossas escolas as crianças e adolescentes e eles não fracassassem hoje nós teríamos na EJA simplesmente aquele resíduo de adulto que ainda não morreu de 20 anos para cá. Alguém de Brasília já disse isso há alguns anos: ”enquanto não morrerem os velhinhos, não acaba o analfabetismo”. Só que eles estão morrendo, mas estão nascendo. É uma fábrica de jovens e adolescentes analfabetos ou com pouca escolaridade, e vocês devem perceber qual é a procura em nossas escolas. Não é para o 1º ano, muito pouco para a alfabetização. Há um rejuvenescimento muito grande da EJA. O IBGE vai dizer que em 2000 tinha um milhão e quatrocentas pessoas na EJA de 18 a 26 anos, ou seja, esses jovens não poderiam mais estar na escola sem saber ler e nem escrever. Eles são frutos do fracasso do ensino fundamental. Você vai perceber que os anos de procura na EJA é o 5º, 6º, 7º ou o 8º ano, que são os terceiros ou quartos ciclos, dependendo do sistema de ensino que tem uma nomenclatura diferente. Então eles retornam para a EJA em busca de algo que eles não conseguiram e perceberam que na sociedade isso era uma necessidade. Agora, isso não inclui a todos, nós estamos falando de uma demanda que procura escola, porque nós não a procuramos, o sistema não a procura, o sistema não a chama e não lhe dá condições de que lês retornem.

CONCEPÇÕES DA EJA – CONFINTEA V, de Hamburgo, em 1997, e na CONFINTEA VI de Belém, em 2009, foi a 1ª Conferência de Educação de Jovens e Adultos na América Latina, no Brasil, que reafirmou qual a concepção de Eja que nós temos que foi assumida por mais de 180 países.

E quando nós falamos de educação de adultos e jovens que estão na escola, não é de qualquer jovem e qualquer adulto, porque nós também somos jovens e adultos e ainda estamos nos bancos da escola numa educação ao longo da vida. Mas é diferente, nós temos um público específico na Eja, excluído socialmente e excluído do ponto de vista também da educação.

CONCEPÇÃO DA AÇÃO SUPERVISORA – aquela que vai atuar em conjunto com os gestores, fortalecendo a sua ação em favor dos alunos. Nós como supervisores não fazemos o papel da escola. Ela faz o seu. Nós somos parceiros no sentido de defender a garantia dos direitos dos alunos.

E, falando especificamente da eja, acho que a gente tem um papel fundamental no que diz respeito à abertura, continuidade e fechamento da eja nas escolas. Isto não é resultado de nenhuma pesquisa.

Pesquisa:
      EXCLUSÃO EJA = POLÍTICAS PÚBLICAS EJA

Este texto é resultado de experiências como supervisora em conversa com colegas de quais os desafios que a gente enfrenta com as escolas que tem ou que  não tem ou não querem ter a educação de jovens e adultos. Então se nós tivermos como base o principio da garantia dos direitos à educação para todos, inclusive para a educação de jovens e adultos, e eu tenho isso como concepção, e assumo isso como supervisora, como é a minha ação na escola quando a escola quer fechar a eja ou não quer abrir a eja? E nós temos um dilema muito grande porque a escola tem mil motivos para não ter eja e você sabe disso e também não é açao fácil encontrar supervisores que queiram trabalhar com a educação de jovens e adultos. Primeiro que dá mais trabalho, depois porque é à noite.

QUAIS OS MOTIVOS PARA ACABAR COM A EJA?
                                
1 – A falta de demanda - É falsa, não existe. Segundo o censo de São Paulo, quase quinhentas mil pessoas que não sabiam ler e nem escrever. Então não é falta de demanda. É falta de chamamento público dessas pessoas, de oferecerem um sistema ou várias sistemas e  possibilidades de acabar com essa coisa feia. Quer dizer que S. Paulo tão grande, uma das cidades mais ricas do país, lógico, que ela tem um número maior porque tem um número maior de pessoas. É muita gente. A rede de São Paulo Municipal e Estadual juntas consegue atender quase cento e trinta mil pessoas. E as outras onde é que estão? Como é que eu posso dizer que não tem?  Basta a gente fazer uma pesquisa com a educação infantil, quantos pais tem escolaridade? Ou pelo menos tem os oito anos de escolaridade?

– Os dados elevados de evasão – ESSA É UMA JUSTIFICATIVA MUITO BOA PARA ACABAR COM A Eja. Embora o MEC apresente 18% de evasão, mas na realidade quando a gente vai fazer a ata de alunos concluintes no final do ano, de 50 alunos que foram matriculados, vemos 18 ou 30 concluintes. Agora, a causa da evasão é que a ente deveria pesquisar, e não utilizar a evasão como um motivo para acabar com a EJA.  Então, se existe é porque existe.

3 – A falta de qualidade – A escola diz : os professores não se esforçam, não fazem nada diferente, como se o culpado pelo fracasso  dos alunos fosse os professores, então não compensa ter eja, ou seja, primeiro a gente culpa os alunos pelo fracasso, depois os professores e cai sobre o gestor, a escola não tem autonomia? Então se não deu certo, a culpa é do gestor. E o supervisor, também mandou fechar a escola?

4 – A falta de professores Muitas vezes não a falta de professores, mas, a falta dos professores na escola. O aluno eja tem muita dificuldade para lidar com issoSe ele tem aula vaga e não pode ser dispensado quando o seu corpo está cansado, ele ainda precisa esperar sem fazer nada por outro professor.


5 – A falta de segurança e gastos com cursos noturnos -  Como é que nós podemos manter diretor, assistente, coordenador, pessoal da limpeza por um público tão pequeno? E se você conversar com alunos, professores e comunidade, você vai perceber que essa justificativa cai por terra. Eles vão dizer que, gasta-se muito mais com outras políticas e vêem dizer que estão gastando dinheiro conosco, ou seja, para mim, essa razão apontada como motivo para fechar a EJA também não tem fundamento.

E depois,

MUITOS MOTIVOS PARA CONTINUAR COM A EJA:

1 – A educação como direito;
2 – A escolarização que é um pouco parte desse direito;
3 – O número elevado que nós temos de analfabetos;
4 – A educação ao longo da vida;
5 – Formação das gerações seguintes.

Está comprovado cientificamente e estatisticamente que quando os pais são escolarizados, tem uma formação um pouco mais elevada é muito mais fácil inclusive trabalhar com outras questões como a aprendizagem da criança com mais sucesso; a questão da saúde; da reivindicação dos demais direitos, etc,.

Há esforços pontuais pela continuidade da EJA. Muitas vezes a própria escola põe cartazes nos bares, nas igrejas, faixas na vizinhança para poder trazer esses alunos para a escola. Embora haja até um pouco de corporativismo com isso, porque o professor precisa acumular cargo, ele precisa do noturno, existe ainda uma vontade e uma crença de que a garantia do direito do jovem e adulto é importante, e que o papel da escola também.

Então, a demanda oculta, aquela que não aparece na escola, o sistema tem sim que procurar. A gente tem que pensar:  Qual é o novo papel do supervisor?  Qual é o papel do Sistema Municipal, Estadual, mas do sistema como um todo? Considerar, como é a situação hoje das escolas? A  EJA recebe 0,8% do que a educação fundamental recebe, ou seja, desde aí o FUNDEB não tem incentivo para a EJA.

Então, quando uma escola quer fechar, eu não posso como supervisora acusar também a escola como responsável, porque ela tem motivo sim. Os dados de evasão da EJA vão interferir na avaliação do desempenho (exemplo, São Paulo). E se eu tenho muita evasão na EJA, ela vai interferir no resultado final, ou seja, se o sistema vai permitir isto, ele já está dizendo que a EJA não é importante porque ela sabe das dificuldades que tem a EJA,  e que não há uma política de apoio nem para gestores e nem para quem trabalha à noite. Ele não ganha nenhum centavo a mais  por que trabalha na EJA ou porque tem uma escola maior, etc.

QUAIS OS DESAFIOS PARA NÓS SUPERVISORES?

1 –  A definição dos papéis – Nós supervisores não somos gestores, somos parceiros, mas não fazemos o papel deles;

2- Manter a centralidade do debate no aluno e nos seus interesses, e não nos da escola ou nos do sistema;

3 – O discurso e a prática – O discurso é muito difícil porque na hora de tomar uma decisão o que vale é aquilo que a gente acredita. Então, se eu acredito que a EJA é um direito, embora ela tenha mais gastos e custos caros, ela tem que continuar a existir.


AÇÃO SUPERVISORA:

1 – Estimular a prática democrática, porque quando todos forem ouvidos, inclusive os mais importantes: os alunos e os professores, com certeza a EJA não acabará;

2 – Estimular a construção de currículos próprios para a EJA.

As dificuldades não podem imobilizar uma ação propositiva em favor do direito à EJA inclusiva e de qualidade.

A educação, na defesa da garantia dos direitos, o supervisor escolar pode menos do que gostaria, mas, ele pode mais do que imaginaria em favor da escola, em favor da criança, do jovem e do adulto.









FONTE: youtube

terça-feira, 3 de setembro de 2013

VIRTUDES: APRENDIZADO PARA A VIDA

VIRTUDES: APRENDIZADO PARA A VIDA


Método que valoriza a prática de valores no dia a dia foi apresentado a brasileiros pela primeira vez. Exemplo deve partir dos adultos

Fonte: Gazeta do Povo (PR)



A possível subjetividade da formação moral é um ponto passível de discussão no Ensino de virtudes na Escola. Como instituições confessionais tendem a ser as mais lembradas na ênfase dada a um comportamento virtuoso, o termo quase sempre aparece na Educação vinculado a princípios religiosos.
O Projeto das Virtudes, no entanto, não tem ligação com qualquer denominação religiosa. “Nos Estados Unidos, quando começamos, as pessoas pensavam que era alguma igreja ou até um partido político. Vemos as virtudes como qualidades de caráter universais”, explica a presidente do projeto, Dara Feldman.

Universal



A importância da formação moral não pode ser limitada às instituições que aderem a uma doutrina religiosa específica. “Valores regem o bom funcionamento da vida em sociedade”. Fazer uso do Ensino das virtudes não só dão fundamento para uma vida religiosa, mas as virtudes em si pertencem ao campo da ética e não da religião.

Cinco estratégias do Projeto das Virtudes para trabalhar com os valores na Escola e em casa:

• Falar a linguagem das virtudes. Evidenciá-las verbalmente quando se nota a presença de uma virtude em alguma situação.

• Usar a virtude como um guia. Ao dar instruções, cite a virtude a ser usada no cumprimento de uma tarefa.
• Estabelecer limites, tendo uma virtude como referência. Ao corrigir a criança, identifique qual a virtude está em falta e a convide a voltar a agir conforme essa virtude.
• Ser coerente em todos os ambientes. Uma verdadeira transformação da linguagem só ocorre quando ela não se limita a um espaço, mas sim quando se torna uma prática habitual em todos os locais de convívio.
• Mostrar-se presente. Ouça com atenção e ajude àqueles que o procurarem, buscando clareza a respeito das próprias virtudes.
Trabalhar as virtudes com estudantes não contribui apenas com a formação de pessoas moralmente melhores; aumenta também as chances de sucesso na vida profissional e Escolar. Essa é uma das defesas da Educadora e escritora norte-americana Dara Feldman e um dos fundamentos que sustentam o Virtues Project (Projeto das Virtudes, em português), método reconhecido pelas Nações Unidas, endossado por dalai-lama e presente em 95 países. Dedicada à pesquisa das virtudes, Dara esteve no mês passado em Curitiba e apresentou o projeto que preside pela primeira vez aos brasileiros.

O Virtues Project tem chamado a atenção de profissionais da área de Educação por englobar ações aplicáveis não apenas à Escola, mas que também se adaptam à vida profissional, familiar ou comunitária. O método não prevê tarefas destinadas aos Alunos, mas sim uma transformação no modo de agir de pais e Professores. “O projeto trata de mudar o comportamento dos adultos para que possamos honrar a nobreza inerente nas crianças”, diz Dara.
Para ela, a linguagem é a ferramenta crucial no desenvolvimento do método, que usa cinco estratégias comportamentais para despertar uma personalidade mais virtuosa. Uma delas é a de dar destaque, verbalmente, à presença das virtudes em situações cotidianas. “Em vez de dizer apenas: ‘bom trabalho’, o adulto pode dizer que viu a determinação da criança em executar uma tarefa ou ir além do ‘muito obrigado’ e dizer ‘muito obrigado por sua gentileza’”, diz. Ao fazer disso um hábito, pais e Professores levam o Aluno a perceber e valorizar a virtude demonstrada, desenvolvendo o desejo de potencializá-la.

Desempenho Escolar




Um questionamento comumente feito a Dara sobre o método é a relevância do Ensino de virtudes na obtenção de melhor desempenho educacional. A esse respeito, a Educadora tem a resposta na ponta da língua: “Do que um Aluno precisa para ir bem em um exame? Determinação, perseverança, compromisso, excelência etc. Tudo isso são virtudes e podem ser estimuladas”. “Uma Escola que não se preocupa com valores acaba por criar profissionais incapazes de ver significado ou propósito na vida”, completa.

Para o doutor em Educação João Malheiro, o método não chega a ser uma novidade, já que nos últimos anos houve um visível aumento na oferta de materiais didáticos que estimulam discussões sobre ética. Mesmo assim, o Educador vê com bons olhos, principalmente, o enfoque dado à mudança de comportamento dos adultos. “Vejo a necessidade de se formar melhor pais e Professores, de maneira que não só entendam a importância desse aprendizado, mas que se decidam a falar a mesma linguagem ética, com o exemplo e com a palavra”, diz.
Adesão

Embora o Projeto das Virtudes conte com um conselho de pesquisadores, não é preciso passar por nenhum procedimento burocrático para tornar-se um aplicador do método. “As pessoas podem entrar no site, ler sobre a metodologia, baixar o material e aplicar na sala de aula ou em suas vidas”, explica Dara Feldman. Ela é voluntária na posição de liderança que ocupa no projeto e diz que só se empenha em divulgar o método por “realmente acreditar no bem que as virtudes podem fazer ao mundo”. 

Mais informações nos sites www.virtuesproject.org ou www.darafeldman.com