sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Evasão escolar chega a 16% ao ano Índice é registrado nas escolas estaduais da Paraíba. Governo do estado vai implantar dois programas educacionais

Cotidiano
Edição de sexta-feira, 15 de janeiro de 2010 Isabela Alencar // Isabelaalencar.pb@dabr.com.br
A evasão escolar é um dos maiores problemas que afeta o bom desempenho dos estudantes da rede pública de ensino na Paraíba. Para amenizar esse quadro, a Secretaria de Educação, Cultura e Desportos da Paraíba vai implantar este ano mais dois programas educacionais para tentar reduzir a evasão escolar, que já registra um índice de 16% ao ano.
Os programas "Ensino Médio Inovador" e "Mais Educação" foram apresentados ontem, durante um encontro realizado com os representantes das escolas que integram a 3ª Região de Ensino de Campina Grande, que ocorreu no bairro do Catolé.
Representantes de 40 escolas da região de Campina Grande se reuniram ontem para traçar metas para o ano letivo de 2010 Foto: Xico Morais/DB/D.A Press
De acordo com a gerente executiva de Acompanhamento à Gestão Escolar do Estado, Socorro Pinto, o intuito destes novos programas e dos que já estão sendo executados é tentar atrair a atenção dos estudantes para a educação. Além disso, o evento também objetivou preparar os diretores das escolas estaduais para o ano letivo 2010. Na próxima terça-feira, todos os gestores da 3ª região, que representam40 municípios, deverão participar de uma nova reunião.
Segundo a gerente executiva, 22 programas deverão funcionar à partir do dia 3 do próximo mês, quando será iniciado o ano letivo 2010. "O nosso objetivo com a implantação dos programas é sugerir uma maior participação da comunidade e dos próprios pais dos alunos, para que se envolvam mais e aconselhem os estudantes sobre a importância da educação", disse ela.
A gerente também informou que este ano foram disponibilizadas mais 40 mil vagas nas escolas estaduais da Paraíba. Conforme a gerente, o programa Mais Educação tem o objetivo de oferecer aos estudantes maior tempo de permanência na escola. "Eles deverão permanecer na escola por dez horas diárias, cumprindo seu horário normal e depois realizando atividades extra-curriculares. Na escola serão disponibilizados alimentação e todo o material necessário para os alunos", informou.
Em Campina Grande deverão participar deste programa 25 escolas estaduais e 39 municipais, em parceria com o Governo Federal. Outro programa que será implantado no início das aulas será o Ensino Médio Inovador, que pretende estabelecer mudanças significativas nas escolas públicas de Ensino Médio não profissionalizantes, na tentativa de reverter os quadros negativos, entre adolescentes de 14 a 17 anos de idade.
Pioneiras
As escolas Estadual Elpídio de Almeida (Estadual da Prata), Estadual Severino Lopes, e Estadual Hortênsio de Sousa Ribeiro (Premen) serão as primeiras contempladas. De acordo com Socorro Ramalho, gerente da 3ª Região de Ensino, os programas são fundamentais para combater a evasão escolar.
Socorro também informou que durante os próximos 90 dias, a regional deverá realizar um recenseamento para verificar a quantidade de jovens que estão fora da escola. "Esta foi uma determinação do Ministério Público que se baseou na Constituição Federal. Vai ser um trabalho difícil, mas esperamos contar com a ajuda do IBGE para realizar a pesquisa", disse ela. O sub-gerente da secretaria estadual, Antonio Caldas, informou que enquanto aaprovação nas escolas particulares é de 94%, nas escolas públicas apenas 70% dos estudantes são aprovados no final do ano. Um taxa ainda deficitária, segundo ele.
Segundo o manual de orientação distribuído pela Secretaria da Educação para os gestores escolares, o ano letivo deverá ter 200 dias de efetivo trabalho escolar, excluído o tempo reservado para os exames finais. Assim, serão 206 dias para o turno diurno e 212 dias para o turno noturno. A frequência escolar mínima exigida de alunos beneficiados pelo Bolsa Família é de 85%, para crianças e adolescentes de 6 a 15 anos, e de 75% para aqueles com idade entre 16 e 17 anos.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Colégio Hipócrates matricula alunos Escola recorreu na Justiça e está efetivando inscrições de novatos. Estudantes antigos estão pedindo transferência

Pr
imeiro Caderno | Dia-a-dia : http://www.jornalonorte.com.br/2010/01/06/diaadia7_0.php Edição de quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Apesar da recomendação do Ministério Público, por meio da Promotoria de Justiça da Educação, para que o Colégio Hipócrates não efetive matrículas para a unidade do Jardim Luna, o estabelecimento começou a receber o cadastro dos alunos para o ano letivo de 2010. Segundo a direção da escola, o estabelecimento recorreu da decisão que proíbe o funcionamento este ano na Justiça. "Nós queremos resolver esses impasses para podermos reorganizar tudo, e estamos recebendo novos alunos porque recorrermos da decisão judicial", afirmou Zuleide Porfírio, diretora pedagógica da unidade Jardim Luna.
Estabelecimento tem anunciado em propaganda a abertura de vagas para 2010 Foto: Fabyana Mota/ON/D.A Press.
O colégio é acusado de funcionar de forma irregular e de apresentar problemas graves como número excessivo de aulas vagas decorrentes da falta de pagamento dos salários de professores, atraso na entrega de material didático, ausência de responsável, mudança
constante de diretores e problemas relativos à conservação e higiene do prédio.
Socorro Pinto, coordenadora da Gerência Executiva de Acompanhamento da Gestão Escolar da secretaria de Educação (Geage), informou que todos as denúncias foram apuradas e constatadas as irregulares, agora depende apenas da decisão do conselho. "Os encaminhamentos foram realizados e todo o processo está na secretaria estadual de educação a qual deverá tomar as providências cabíveis", disse.
A recomendação do Ministério Público, de impedir as matrículas de novos alunos, tem caráter preventivo e cautelar e visa proteger pais e estudantes frente às denúncias de irregularidades encaminhadas ao Conselho Estadual de Educação. Para Odésio Medeiros, presidente do Sindicato dos Proprietários de Escolas Particulares da Paraíba, o fechamento do Colégio Hipócrates seria doloroso e lamentável. "Não se pode fechar uma instituição de ensino a toque de caixa, ainda mais em um País como o nosso onde existe um grande número de analfabetos. É uma situação dolorosa e lamentável", concluiu.
Devido a uma série de irregularidades apontadas pelo Ministério Público, muitos pais estão retirando os filhos da escola temendo prejuízos futuros no aprendizado em função da instabilidade da instituição e das condições pedagógicas e de infraestrutura. "Ninguém sabe se vai continuar funcionando ou não, então, vou procurar imediatamente um outro colégio para evitar de transferir depois", disse uma das mães que preferiu não ter o nome revelado. Uma outra mãe afirmou que a proposta pedagógica estava muito aquém do esperado e que a insatisfação com o ensino foi o principal motivo para escolher uma outra escola para sua filha. "Estava muito desorganizado, não havia mais disciplina nem infra-estrutura adequada", revelou Carla Florentino (nome fictício).
Sebastião Vieira, presidente do Conselho Estadual de Educação, órgão responsável por julgar o processo em trâmite contra o colégio, afirmou que o processo será julgado após o dia 21 deste mês, data do retorno das atividades do conselho. "Estamos aguardando o parecer da relatoria para poder votar pelo fechamento ou não do colégio e, essa decisão só deve acontecer depois do recesso do conselho", afirmou.