Reflexões acerca das experiências produzidas pelo projeto: O Círculo da Matemática
Lema:"diga-me e esquecerei, pergunte-me e descobrirei.”
Sem querer
desvalorizar o conteúdo específico, sinceramente não vejo nenhuma novidade
nesse método. A roda já foi inventada há muito tempo. Segunda a fórmula desse
método:
·
10 alunos em classe, no máximo;
·
não há carteiras nas classes, somente cadeiras onde
as crianças sentam-se em círculo;
·
as crianças são instigadas a responder as questões
da professora na lousa com giz, sem qualquer tecnologia;
·
nenhum erro é reprimido, mas nenhuma resposta é oferecida
sem ser debatida;
·
formação para os professores aprenderem e
propagarem o lema:"diga-me e
esquecerei, pergunte-me e descobrirei.”
Especialistas
e estudiosos definem que a reorganização da disposição da sala de aula e a
forma como o mobiliário está disposto, especificamente a flexibilidade na
colocação das cadeiras e das mesas, bem como no agrupamento dos alunos, é
essencial para proporcionar uma aprendizagem cooperativa, o apoio entre pares e
a apresentação dos conteúdos a todos os elementos da aula , pode ter influência no tempo de aprendizagem
escolar e, consequentemente, na aprendizagem dos alunos.
Carteiras dispostas em filas - Os
alunos sentam-se, uns atrás dos outros, voltados para o quadro. Se imaginarmos
o primeiro dia de aulas de um grupo nesta sala, poderemos deduzir que eles irão
encontrar algumas dificuldades para se conseguirem ver, olhar, reconhecer. A
sala está voltada para o quadro, para o (a) professor (a), possivelmente, mas
não para o grupo .
Mesas agrupadas - Se
imaginarmos que este espaço está ocupado por jovens e adultos, poderemos vê-los
sentados em pequenos grupos e os elementos de cada grupo olham-se, falam
diretamente uns com os outros e podem ver os outros grupos. Os quadro não é o
centro e o (a) professor (a) pode estar em
diferentes lugares, acompanhando os diálogos e os
trabalhos de cada grupo. Este tipo de organização deve ser utilizado sempre que
desejarmos propor produções escritas, conversas e discussões em pequenos
grupos.
Disposição das cadeiras em círculo - Não
é possível indicar o lugar do (a) professor (a), já que cada lugar está
igualmente disposto em relação ao outro: as pessoas estão num mesmo patamar,
voltadas para o centro do círculo, podendo olhar e dirigir-se a qualquer outra,
sem qualquer dificuldade. O quadro está fora do círculo.
Nesse sentido podemos destacar no primeiro exemplo,
o modelo de ensino expositivo, no segundo, o modelo de instrução direta e, no
terceiro, o modelo de ensino designado como aprendizagem cooperativa, cada qual
com suas abordagens pedagógicas específicas.
Assim, a ação pedagógica do professor reflete - se
na organização que faz do espaço da sala de aula. Se se pretender uma prática
eficaz e se a eficiência for a meta, o espaço deverá ser adequado ao ambiente
consoante os objetivos a atingir. Numa
sala de aula, é o professor que controla os recursos, os processos e a didática.
Se quer efetuar um debate e/ou uma discussão é essencial que organize os alunos
da turma e as carteiras em círculo. Se as atividades a realizar, mediante as
tarefas propostas, irão beneficiar de diálogos em grupo que irão enriquecer o
processo para que os objetivos pretendidos sejam alcançados, então colocam-se
as carteiras em grupos de alunos. No entanto, se apenas se pretender introduzir
um conceito novo, expor uma temática, muda - se o cenário para o sistema de
filas e colunas ou linhas de carteiras. Contudo, o espaço da sala de aula deve
ser um lugar aprazível e ter as condições necessárias às diferentes
aprendizagens – da leitura, da escrita e de outras.
Levando em consideração que a aprendizagem, sob a
ótica de uma ação educativa, tem por objetivo ajudar a desenvolver as
capacidades que permitem ao aluno conseguir entrar numa relação pessoal com o
meio em que vive, fazendo uso das suas estruturas sensório–motoras, cognitivas,
afetivas e linguísticas.
Para que uma aula seja cooperativa, isto é, para
que um grupo desenvolva um trabalho cooperativo, é necessário que estejam
presentes cinco condições que, segundo Johnson, Johnson; Holubec (1993,1999
apud FONTES; FREIXO, 2004; LOPES; SILVA,2009; MONEREO; GISBERT, 2002),
propiciam a cooperação no seio do grupo:
1.
interdependência positiva – o sucesso de cada
elemento está ligado ao do restante do grupo;
2.
interações face a face – interação estimulante que
permite o desenvolvimento da autoestima, usando e desenvolvendo competências
sociais;
3.
responsabilidade individual–compromisso individual
e responsabilidade pessoal para se conseguir atingir os objetivos do grupo;
4.
competências sociais–desenvolvimento de
competências interpessoais e de pequeno grupo necessárias para a cooperação;
5.
autorreflexão de grupo–avaliação frequente e
regular do funcionamento do grupo,em função dos objetivos e das relações de
trabalho, com a finalidade de melhorar a eficácia do mesmo.
Estas condições permitem diferenciar a aprendizagem
cooperativa do trabalho de grupo tradicional.
Uma aula de aprendizagem cooperativa apresenta,
segundo Arends (1997, 2008), seis fases a seguir descritas
1.
professor dá início à aula, descrevendo os seus
objetivos, motivando os alunos para a aprendizagem – fator muito importante
para que os alunos compreendam quais os procedimentos e as regras que irão ser
aplicados na aula;
2. professor dá as informações pertinentes sobre o
trabalho a realizar, através de exposição oral ou leitura de textos;
3. professor organiza os seus alunos por grupos de trabalho
–revela - se uma fase que consideramos difícil, pois além de poder gerar alguma
confusão, o professor deve ter em consideração se deve ou não atribuir papéis a
algum aluno em particular, nomeadamente a responsabilidade pela tarefa ou
material ou o papel de moderador, como exemplo;
4. os alunos
trabalham em grupo, na realização de tarefas interdependentes, com o apoio do
professor;
5.
apresentação do trabalho do grupo;
6. reconhecimento dos esforços do grupo e dos esforços
individuaisa disposição em círculo melhora a interação livre entre alunos,
permitindo-lhes conversarem livremente uns com os outros, e minimiza a
distância emocional e física entre eles.
A disposição em círculo
melhora a interação livre entre alunos, permitindo-lhes conversarem livremente
uns com os outros, e minimiza a distância emocional e física entre eles, contudo, essa forma de organização impede o professor de se movimentar
livremente entre os seus alunos e/ou para o quadro.
Por fim, para o desenrolar das atividades
pedagógicas e didáticas fluam, deve haver uma flexibilização do espaço, em que
as cadeiras, as mesas, e outros materiais, possam ser facilmente deslocados em
função das necessidades do professor e dos seus alunos, não descurando o nível
de coerência entre os objetivos e a dinâmica proposta para a sua realização, ou
os métodos de ensino e aprendizagem caracterizadores do modo de trabalhar de
cada um. É fundamental que os professores, tanto na formação inicial como na
formação continuada, se consciencializem da sua influência no (in) sucesso dos
alunos.
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Matemática
é ensinada a crianças do Brasil com metodologia de Harvard
Materia publicada em 24/09/2014 05h00, no site: http://g1.globo.com/educacao/noticia/2014/09/matematica-e-ensinada-criancas-do-brasil-com-metodologia-de-harvard.html
O Círculo da Matemática chegou a 66 escolas públicas de 10 cidades.
Objetivo é inovar no ensino, desenvolver o raciocínio e criatividade.
Pelo círculo, as aulas de matemática são oferecidas a turmas de no máximo 10 alunos. Não há carteiras, lição de casa ou provas. Somente cadeiras, em que os alunos, propositalmente, não param sentados. A fórmula é simples: as crianças são instigadas a responder as questões da professora na lousa com giz, sem qualquer tecnologia. Nenhum erro é reprimido, mas nenhuma resposta é oferecida sem ser debatida.
saiba mais
A base das aulas é uma reta numérica onde são ensinadas as operações e
conceitos matemáticos. "Quais são números pares, e os ímpares, e os
primos?", questiona a professora, enquanto os alunos disputam para
respondê-la.As aulas do círculo não substituem as da grade curricular de matemática das escolas, ou seja, são aulas extras e ocorrem uma vez por semana para cada turma. O objetivo é desenvolver o raciocínio das crianças, fazer com que elas pensem, esqueçam as fórmulas e a decoreba e acima de tudo aprendam a gostar de matemática. Tem funcionado. “Gosto de matemática porque é divertido, as pessoas que acham chato é porque não conhecem os números”, diz Maria Clara Barbosa Rodrigues, de 7 anos, aluna do 2º ano.
O principal lema que define a metodologia dos professores Kaplan de Harvard é “diga-me e esquecerei, pergunte-me e descobrirei.” Nas aulas, faz parte da metodologia chamar as crianças sempre pelos nomes e incentivá-las a entrar nas discussões.
Ajuda no raciocínio
A diretora da escola Rosana Osso de Miranda diz que o trabalho do círculo acabou influenciando o desempenho dos alunos nas demais disciplinas e até os professores da unidade. “Os alunos estão mais participativos e gerou uma reflexão nos professores de que eles podem fazer diferente.”
Harvard na periferia
“Parte do fracasso do ensino da matemática é o excesso de mecanização. Fazer matemática é fazer continha e muitas vezes é um negócio chato para as crianças. Seguimos uma abordagem que os professores Kaplan desenvolveram durante 20 anos, é um tipo de ensino muito exclusivo. É a pedagogia de Harvard para crianças da periferia do Brasil”, diz Comim.
Bob e Ellen Kaplan vêm ao Brasil frequentemente para formar professores. Eles dizem que se o professor explicar uma ideia para uma criança em matemática ou qualquer outra disciplina, ela não é estimulada a pensar. “Mas se o professor der uma problema atraente que precisa dessa ideia para a solução, ela vai descobrir isso para si mesma e sua autoconfiança irá aumentar”, diz Bob Kaplan, em entrevista por e-mail ao G1.
Para os estudiosos da matemática, a classe deve ser como uma conversa de animada entre amigos em uma mesa de jantar. “É claro que esses tipos de conversas só acontecem em pequenos grupos. Muitos, muitos mais professores devem ser treinados para fazer essas perguntas principais e moldar as conversas, e isso é o que fazemos em nossa formação de professores de matemática do círculo”, afirma Ellen.
Bob diz que o círculo não possui um método rígido, mas uma abordagem flexível, e foi adaptado por pessoas nas quais eles se incluem. “Assim como a música é feita para tocar junto, matemática (que é a mais bela das músicas) é feita por seres humanos para seres humanos, e feita para ser praticada coletivamente”, diz Bob.
Pela metodologia, as crianças são instigadas a responder as questões na lousa (Foto: Caio Kenji/G1)
