sábado, 29 de março de 2014

A Cruz e a Ponte


A cruz e a ponte
"Quem quiser vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz a cada dia, depois vem e segue-me" (cf. Lc 9,23).


Quando nós sabemos renunciar à nossa vontade e abraçamos a nossa cruz de cada dia, a nossa vida passa a ter um outro sentido!
Dificuldades na caminhada?
O peso da vida parece ser bem maior do que as suas forças?
A "cruz" parece pesada e inútil?
E aqui eu não falo só das dificuldades e problemas inerentes à fé ou ao apostolado. Falo da vida em geral. Como encaramos a "cruz" do dia a dia?
Como vemos cada pequena ou grande contrariedade que nos acontece?
Será que o nosso colega de escritório merece ser menos aceito do que o nosso colega de trabalho pastoral?

Essa historinha, que certamente já é conhecida de muitos, pode reforçar em nós uma forma mais bonita de encarar cada dificuldade que a vida nos oferece.
A CRUZ E A PONTE
Certa vez um homem foi visitado pôr um certo anjo do senhor. Este anjo disse a ele: eu vim trazer a sua cruz para que você possa carregá-la na sua jornada. Ele pegou a cruz e seguiu. Quando ele já estava bem adiante de sua jornada, ele encontrou um homem que disse a ele o seguinte: "- como vai, tudo bem? O que você está fazendo com esta cruz aí? Está maluco? Ela deve ser muito pesada. E o outro respondeu: "- não estou maluco não, cada um deve carregar a sua cruz. Mas ela realmente é pesada."
"- então por que você não corta um pedaço do pé da cruz? Vai ficar mais leve."
"- eu não posso fazer isso, é a minha cruz, eu tenho que carregá-la."
"- que besteira, isso é besteira. Corta só um pedacinho, ninguém vai saber. Assim vai ficar mais leve para você carregar." E o homem o convenceu de cortar um pedaço.
"- viu, não ficou mais leve?"
"- é, você tinha razão, só um pouco não vai fazer mal." E ele continuou seguindo sua jornada. Bem mais lá na frente de sua longa caminhada eis que ele encontra novamente aquele homem.
"- como vai? Você continua carregando isso aí? Achei que tivesse desistido."
"- sim, eu continuo carregando a minha cruz."
"- mas ela deve estar muito pesada. Por que você não corta mais um pouco? Vai ficar mais leve."
"- é, pode ser, não doeu nada da outra vez."
"- vamos cortar. Só que vamos cortar um pouco mais pra ela ficar bem mais leve né?"
Ele concordou em cortar e depois seguiu sua jornada.
Muito tempo depois ele avista a cidade maravilhosa, cheia de ouro, pedras preciosas, prata. Era a visão mais maravilhosa que ele já teve em toda a sua vida. Era tão iluminada que não precisava do sol. Brilhava tanto... Quando sem esperar ele se depara com um abismo e ele não entendeu o porquê do abismo. E tamanho era o desespero que ele começa a gritar e gritar e gritar:
"- socorro, me ajudem, quero atravessar, socorro alguém por favor me ajude, quero entrar na cidade!!!"
Cansado de tanto gritar, ele vê do outro lado do abismo o anjo, aquele que lhe entregou a cruz. E o anjo pergunta a ele: "- o que você está fazendo aí do outro lado? Por que você ainda não atravessou?"
"- como? Não vê o abismo que nos separa?"
"- sim vejo", respondeu o anjo.
"- então, como que eu vou atravessar?"
"- onde está a ponte que eu te entreguei?"
"- que ponte? Você me entregou uma cruz e ela está comigo."
E o anjo disse: " - então coloque-a no meio do abismo, porque o tamanho dela é exato para que você possa atravessar."
Se sua cruz está pesada demais, talvez você esteja carregando ela sozinho...
O que Deus quer é nos dar toda a capacidade para carregarmos nossa cruz, a exemplo de Seu próprio Filho, a cruz dos nossos dramas pessoais, familiares, a cruz da doença, da enfermidade, dos pequenos sofrimentos, dos aborrecimentos que vivemos em nossa vida, em nosso corpo, em nossa mente. Vivemos tudo isso em um espírito de entrega e oblação a Deus quando nós sabemos renunciar à nossa vontade e abraçamos a nossa cruz de cada dia; dessa forma a nossa vida passa a ter um outro sentido! Não é que deixamos de viver, ao contrário, a nossa vida se torna mais plena, ela passa ter um sentido de eternidade, ela passa a caminhar na direção do céu.
Que nós possamos, em vez de imaginar que estamos perdendo a vida, tomar consciência de que seguir Jesus é perder a vida neste mundo para ganhá-la aqui e para sempre com um sentido mais pleno.

Um comentário:

  1. Seguir Jesus significa ir atrás dos Seus passos, fazer aquilo que Ele fez. Seguir Jesus não é simplesmente imitá-Lo, copiá-Lo, mas é ir na mesma direção, no caminho da vida, no sentido da vida. E por isso que o Senhor não só ensina o caminho, mas Ele mesmo faz e é o caminho, Ele mesmo desce ao nosso meio e se faz um de nós e caminha para o céu, nos chamando para irmos atrás d’Ele.

    Para irmos atrás do Senhor, antes de passarmos pela porta do céu, precisaremos passar por “Jerusalém” como o Senhor mesmo fez. Ali o Senhor viveu a vida no meio de nós, primeiro renunciando a si mesmo: renunciou a Sua condição divina, renunciou aos títulos, às honrarias humanas para viver o projeto do Reino de Deus. E tomou a Sua cruz, a cruz da rejeição, a cruz do peso dos nossos pecados, a cruz da não aceitação e se entregou inteiramente ao Pai.

    Quem quiser segui-Lo precisa tomar a mesma atitude: renunciar a si mesmo. Sim, ser capaz de renunciar ao próprio “eu”, muitas vezes, aos afetos, ao desejo de agradar e viver a vida conforme o projeto de Deus para nós.

    Como é difícil renunciar a nós mesmos, porque somos tão orgulhosos, egoístas, queremos ver o mundo do nosso jeito, da nossa maneira! Quando sabemos ceder, quando, mesmo nos achando certos, somos capazes de abaixar a nossa cabeça, conseguimos viver renúncias em nossa vida. Renúncia à vontade de ter isso ou aquilo, renuncia a afetos que gostaríamos de viver com mais intensidade e não é possível os viver. Tudo isso devemos fazer como oblação, como entrega, como oferta a Deus.

    Fonte:http://homilia.cancaonova.com/homilia/uma-vida-plena-em-jesus-e-feita-de-renuncias-diarias/

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