O SER PROFESSOR...
Paulo Freire
Não posso ser professor se não percebo cada vez melhor, que
por não poder ser neutra, minha prática exige de mim uma definição.
Uma tomada de posição.
Decisão.
Ruptura.
Exige de mim que escolha entre isto e aquilo.
Não posso ser professor a favor de quem quer que seja
e a favor de não importa o quê.
Não posso ser professor a favor simplesmente do Homem ou da Humanidade,
frase de uma vaguidade demasiada
contrastante com a concretude da prática educativa.
Sou professor a favor da decência contra o despudor,
a favor da liberdade contra o autoritarismo,
da autoridade contra a licenciosidade,
da democracia contra a ditadura de direita ou de esquerda.
Sou professor a favor da luta constante contra qualquer forma de discriminação,
contra a dominação econômica dos indivíduos ou das classes sociais.
Sou professor contra a ordem capitalista vigente
que inventou esta aberração: a miséria na fartura.
Sou professor a favor da esperança que me anima apesar de tudo.
Sou professor contra o desengano que me consome e imobiliza.
Sou professor a favor da boniteza da minha própria prática,
boniteza que dela some se não cuido do saber que devo ensinar,
se não brigo por este saber, se não luto pelas condições
materiais necessárias sem as quais meu corpo, descuidado,
corre o risco de se amofinar e de já não ser o testemunho que deve ser
de lutador pertinaz, que cansa, mas não desiste.
Feliz Dia do Professor!

Ao congratular- me com a minha primeira professora (Luzia de Fia) e com uma das últimas que eu tive (Edna Cunha), quero homenagear tod@s @s colegas Professoras e Professores, assim como colegas profissionais da educação! Esta data é um convite para que todos (pais, alunos, educadores, políticos e sociedade de um modo geral) repensem suas ações e papéis demonstrando um real compromisso com a educação que queremos e precisamos. Que os desafios não nos desanimem e que Deus nos abençoe ricamente em sabedoria para junt@s construirmos a história do nosso país.
ResponderExcluirA desvalorização do professor é uma construção histórica. Para mudar esse quadro de penúria ainda levaremos muito tempo. Seria estratégico, primeiro, investir no salário inicial dos professores para atrair profissionais para a carreira. Para que isso acontecesse, seria fundamental haver uma federalização dos salários, já que grande parte dos municípios e estados alega não ter condições de cobrir o piso. Por falar nisso, para onde irão os 75% dos royalties? É preciso esclarecer se será aplicado em nível federal, estadual ou municipal, se na educação básica ou superior e que percentual será dirigido a cada área. Necessidades de recursos existem, mas é preciso discutir com muito cuidado onde serão investidos.
ResponderExcluirEntretanto, não é somente no salário que os investimentos devem se voltar. Dar melhores condições de trabalho e incentivar a valorização social do professor são outros dois pontos essenciais.
Segundo o Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) o Brasil foi colocado em penúltimo lugar entre os 40 países analisados Na Finlândia (primeiro lugar), por exemplo, a qualidade dos professores se inicia com a seleção criteriosa para a formação docente: apenas os melhores estudantes ingressam na carreira, bastante prestigiada, apesar dos salários não muito altos.
Em segundo plano, ninguém deveria pagar para se formar professor. Deveria haver uma bolsa para quem optasse por licenciatura.
Por outro lado, é preciso aumentar os investimentos nos locais de maior vulnerabilidade. O investimento em locais pouco desenvolvidos social e economicamente é necessário para atrair profissionais para as escolas. Envolver a comunidade na formação escolar e proporcionar uma boa infraestrutura também auxiliam o professor no ensino
Há ainda as más condições de trabalho levam a constantes greves. Aliadas a isso, estão as recorrentes notícias de baixo desempenho escolar do brasileiro e de violência na escola, que constroem uma visão negativa da profissão para os jovens.