PRAIA DE BONSUCESSO/LUCENA
Se houvesse apenas uma palavra para definir Lucena eu elegeria “a cidade das carências”, apesar de toda a beleza natural que adorna esta que é uma das mais belas, ricas e prósperas cidades da Paraíba. Pode até parecer paradoxal falar em carência e prosperidade ao mesmo tempo. E o é, sim. A carência é por que precisamos de tantas coisas que fica até difícil escolher qual. A prosperidade é que temos tantas possibilidades de crescer que é razoável entender que somos ricos e não sabemos a riqueza que temos.
Somos ricos no que Deus nos deu: uma beleza paisagística ímpar, um recanto ainda quase virgem, onde se pode desfrutar da natureza primitiva. Um lugar onde a história se mistura com a natureza, que tem um Santuário da Guia, cuja igreja teve início no distante ano de 1591, portanto apenas seis anos após a ocupação portuguesa nas terras paraibanas; e que tem o inusitado do Bonsucesso, com a proeza de uma igreja “plantada”numa árvore.
Lucena tem uma das raízes culturais mais sólidas e preservadas do nosso litoral, com um jeito diferente de ser do seu povo, que guarda traços ainda primitivos e nativistas. Cidade de pescadores que não perdeu seus hábitos, como lançar uma rede ao mar nas pescas-de- arrasto ou nos barcos que deslizam mar à dentro ainda nas primeiras horas da madrugada, e que muitas vezes só voltam dois ou três dias depois.
Lucena dos currais de peixes, onde tanto é bonito apenas observar como mergulhar em suas águas rasas durante as baixas das marés. A chegada do Rio Miriri ao mar é apoteosa, num cenário perfeito, onde a natureza caprichosamente esculpiu a sua imagem. Praia ainda quase virgem, dar a sensação de que estamos num outro lugar.
Mas Lucena paradoxalmente é a cidades das carências, onde a natureza fez a sua parte, mas o homem ainda completou a sua. São muitas as necessidades, e quem melhor sabe é quem delas precisa. Se adoecer na madrugada, pode não dá tempo para chegar o socorro. É urgente a construção de um hospital, funcionando 24 horas, o que poderia salvar muitas vidas.
Precisamos também de uma escola técnica e de ensino em tempo integral para nossas crianças, preparando-as para as oportunidades que o futuro com certeza nos dará. A mão do homem também que se apresentar no planejamento urbanístico, com o embelezamento e fomento ao turismo. Aliás, não consigo vê Lucena sem a sua tríplice vocação natural: o turismo, a pesca e a fruticultura. É a partir delas que podemos deslanchar.
A construção de uma via oeste panorâmica, interligando a sede do município a Costinha e a Guia poderia ser um marco, dando um novo retrato ao lugar. As pontes interligando Lucena a Cabedelo é a salvação de todo o Litoral Norte. Falo em pontes porque é muito fácil, barato e rápido construir duas pequenas pontes unindo Cabedelo à ilha e da ilha outra ponte sobre o Rio da Guia. Isso seria a continuação da PB 008, interligando todo o litoral paraibano.A
s carências são muitas, mas uma é fundamental: a geração de emprego e renda. E isso somente ocorrerá se soubermos explorar nossas vocações naturais. A Paraíba e o Brasil têm uma dívida enorme com Lucena, que remonta ao longínquo ano de 1985, quando foi proibida a pesca da baleia. Daquela época nos restam os órfãos da pesca, que nunca receberam a prometida compensação. O que temos hoje são as viúvas e os viúvos da pesca da baleia, que continuam desempregados e desamparados, sem que o Poder Público cumpra com sua parte.
Mas Lucena tem jeito, e ainda despertará para o desenvolvimento sustentável, mantendo as suas belezas paisagísticas como as piscinas naturais de Pontinha, a encosta do Miriri, o Santuário da Guia, as belezas de Camaçari, e o suprimento de todas as suas carências. Quem viver verá.

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