segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Reinventando a sala de aula

Reinventando a sala de aula



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    Da Equipe Porvir

    As salas de aula, formatadas no século 18 e replicadas até hoje, vêm sendo sistematicamente condenadas por especialistas, que as consideram um ambiente impróprio para as novas formas de aprendizado que se aprensentam hoje. Que elas não são os ambientes mais adequados, já se sabe, mas o que se pode construir no lugar delas? O arquiteto espanhol radicado nos EUA Tomas Eliaeson, do escritório Little Online, propõe uma divisão da escola em que, no lugar das grandes vilãs, as salas de aula tradicionais, os espaços sejam divididos a partir de cinco novas tipologias, cada uma delas com funções, mobília e atividades específicas para proporcionar momentos de aprendizagem efetiva. Nessa nova configuração, o espaço de divide em descoberta, transmissão, troca, criação e reflexão.

    “Dependendo da atividade que se faça, é preciso um ambiente específico. Se você quer se concentrar ou fazer uma prova, você precisa se isolar. Se você está trabalhando com aprendizado baseado em projetos, você precisa de móveis adequados para acomodar três ou quatro pessoas”, afirma Eliaeson, que esteve no Brasil na semana passada para apresentar sua proposta de novos ambientes imersivos de aprendizagem em um evento promovido pela escola americana Graded. Essa reformulação de espaços só foi possível, enfatiza o especialista, com as revoluções tecnológicas e os avanços da ciência nos últimos anos, que passou a entender melhor como o cérebro funciona. “Hoje nós colocamos 25 alunos em uma sala e ensinamos tudo de um jeito só para todo mundo. Isso até funciona para alguns, mas não funciona para todo mundo. Ao entendermos o cérebro, aprendemos que nós não somos iguais, que precisamos de ambientes mais personalizados”, afirma o especialista.

    Tal customização, que se faz necessária na escola, já pode ser observada na vida real em vários outros segmentos, como na TV e nos restaurantes, argumenta ele. “A sala de aula não consegue acomodar adequadamente os múltiplos métodos de aprendizagem. Ela não facilita a interação entre estudantes e seus pares e entre professores e alunos; também não permite a flexibilidade necessária para um espaço voltado ao trabalho em equipe, para o aprendizado facilitado pela tecnologia colaborativa e transdisciplinar. Acima de tudo, as salas de aula tradicionais não dão o suporte necessário para o aprendizado ativo, motivador e criativo”, escreveu o especialista no artigo “The Immersive LearningScape”.

    Pela sua proposta, que tem orientado a construção de escolas e a adaptação de espaços já existentes, essas cinco tipologias seriam usadas por professores de todas as disciplinas. Confira, a seguir, como é cada um deles.

    1. Pensar: baseado no conceito de que o aprendizado também acontece individualmente. Espaços pequenos e ambientes intimistas permitem que o aluno tenha o tempo e o ambiente necessários para analisar e pesquisar, refletir e digerir a informação;


    2. Descobrir: este é o espaço para oficinas. Será o local onde os alunos vão experimentar, explorar, aprender a partir de seus projetos, ou seja, colocar as mãos na massa. Nesse ambiente, artes, ciências e engenharia serão estimuladas a partir da cocriação, da invenção, da fabricação, do teste, da desconstrução, da recostrução, da produção e do design. Aqui, o uso da tecnologia é muito importante;


     

    3. Transmitir: é o mais parecido com uma sala de aula tradicional. Acomoda reuniões de grupos maiores, mas a mobília flexível permite momentos de descontração ou reunião em grupos menores. Dois espaços iguais, localizados um ao lado do outro, podem se tornar uma grande sala para reunião de grupos ainda mais numerosos. Do ponto de vista físico, se parece com um auditório, uma vez que possui a acústica necessária para que todos se ouçam e os atributos físicos importantes, como um plano inclinado (como em auditórios e cinemas), para que haja contato visual entre todos os que ali estiverem;

     


    4. Trocar: inspirado pelo potencial do aprendizado social. Esse é o espaço onde os alunos vão mostrar o resultado de seus trabalhos para colegas, professores e comunidade. É também um local de encontros, de trocas informais de aprendizado, de compartilhar ideias e de se aproximar do outro; é aqui que todas as formas de aprendizagem se encontram;
     

    5. Criar: locais específicos para trabalhos em equipe, em grupos de pequeno ou médio porte. Esses espaços podem ser organizados a partir de flexibilidade e múltiplas configurações para comportar vários tipos de atividades, mais engajamento e aprendizado interativo. Estações com computadores que permitem conferências com pessoas de qualquer lugar do mundo podem estar aqui.


    Fonte:http://www.revistapontocom.org.br/materias/reinventando-a-sala-de-aula 









    quarta-feira, 24 de setembro de 2014

    A pedagogia de Harvard em escolas brasileiras



    Reflexões acerca das experiências produzidas pelo projeto:  O Círculo da Matemática

     Lema:"diga-me e esquecerei, pergunte-me e descobrirei.”



    Sem querer desvalorizar o conteúdo específico, sinceramente não vejo nenhuma novidade nesse método. A roda já foi inventada há muito tempo. Segunda a fórmula desse método:
    ·         10 alunos em classe, no máximo;
    ·         não há carteiras nas classes, somente cadeiras onde as crianças sentam-se em círculo; 
    ·         as crianças são instigadas a responder as questões da professora na lousa com giz, sem qualquer tecnologia; 
    ·         nenhum erro é reprimido, mas nenhuma resposta é oferecida sem ser debatida;
    ·         formação para os professores aprenderem e propagarem o lema:"diga-me e esquecerei, pergunte-me e descobrirei.”

    Especialistas e estudiosos definem que a reorganização da disposição da sala de aula e a forma como o mobiliário está disposto, especificamente a flexibilidade na colocação das cadeiras e das mesas, bem como no agrupamento dos alunos, é essencial para proporcionar uma aprendizagem cooperativa, o apoio entre pares e a apresentação dos conteúdos a todos os elementos da aula , pode ter influência no tempo de aprendizagem escolar e, consequentemente, na aprendizagem dos alunos.
    Carteiras dispostas em filas - Os alunos sentam-se, uns atrás dos outros, voltados para o quadro. Se imaginarmos o primeiro dia de aulas de um grupo nesta sala, poderemos deduzir que eles irão encontrar algumas dificuldades para se conseguirem ver, olhar, reconhecer. A sala está voltada para o quadro, para o (a) professor (a), possivelmente, mas não para o grupo .
    Mesas agrupadas - Se imaginarmos que este espaço está ocupado por jovens e adultos, poderemos vê-los sentados em pequenos grupos e os elementos de cada grupo olham-se, falam diretamente uns com os outros e podem ver os outros grupos. Os quadro não é o centro e o (a) professor (a) pode estar em
    diferentes lugares, acompanhando os diálogos e os trabalhos de cada grupo. Este tipo de organização deve ser utilizado sempre que desejarmos propor produções escritas, conversas e discussões em pequenos grupos.

    Disposição das cadeiras em círculo - Não é possível indicar o lugar do (a) professor (a), já que cada lugar está igualmente disposto em relação ao outro: as pessoas estão num mesmo patamar, voltadas para o centro do círculo, podendo olhar e dirigir-se a qualquer outra, sem qualquer dificuldade. O quadro está fora do círculo.

    Nesse sentido podemos destacar no primeiro exemplo, o modelo de ensino expositivo, no segundo, o modelo de instrução direta e, no terceiro, o modelo de ensino designado como aprendizagem cooperativa, cada qual com suas abordagens pedagógicas específicas.

    Assim, a ação pedagógica do professor reflete - se na organização que faz do espaço da sala de aula. Se se pretender uma prática eficaz e se a eficiência for a meta, o espaço deverá ser adequado ao ambiente consoante os objetivos a atingir.  Numa sala de aula, é o professor que controla os recursos, os processos e a didática. Se quer efetuar um debate e/ou uma discussão é essencial que organize os alunos da turma e as carteiras em círculo. Se as atividades a realizar, mediante as tarefas propostas, irão beneficiar de diálogos em grupo que irão enriquecer o processo para que os objetivos pretendidos sejam alcançados, então colocam-se as carteiras em grupos de alunos. No entanto, se apenas se pretender introduzir um conceito novo, expor uma temática, muda - se o cenário para o sistema de filas e colunas ou linhas de carteiras. Contudo, o espaço da sala de aula deve ser um lugar aprazível e ter as condições necessárias às diferentes aprendizagens – da leitura, da escrita e de outras.
    Levando em consideração que a aprendizagem, sob a ótica de uma ação educativa, tem por objetivo ajudar a desenvolver as capacidades que permitem ao aluno conseguir entrar numa relação pessoal com o meio em que vive, fazendo uso das suas estruturas sensório–motoras, cognitivas, afetivas e linguísticas.
    Para que uma aula seja cooperativa, isto é, para que um grupo desenvolva um trabalho cooperativo, é necessário que estejam presentes cinco condições que, segundo Johnson, Johnson; Holubec (1993,1999 apud FONTES; FREIXO, 2004; LOPES; SILVA,2009; MONEREO; GISBERT, 2002), propiciam a cooperação no seio do grupo:

    1.  interdependência positiva – o sucesso de cada elemento está ligado ao do restante do grupo;
    2.  interações face a face – interação estimulante que permite o desenvolvimento da autoestima, usando e desenvolvendo competências sociais;
    3.  responsabilidade individual–compromisso individual e responsabilidade pessoal para se conseguir atingir os objetivos do grupo;
    4.  competências sociais–desenvolvimento de competências interpessoais e de pequeno grupo necessárias para a cooperação;
    5.  autorreflexão de grupo–avaliação frequente e regular do funcionamento do grupo,em função dos objetivos e das relações de trabalho, com a finalidade de melhorar a eficácia do mesmo.

    Estas condições permitem diferenciar a aprendizagem cooperativa do trabalho de grupo tradicional.

    Uma aula de aprendizagem cooperativa apresenta, segundo Arends (1997, 2008), seis fases a seguir descritas

    1.  professor dá início à aula, descrevendo os seus objetivos, motivando os alunos para a aprendizagem – fator muito importante para que os alunos compreendam quais os procedimentos e as regras que irão ser aplicados na aula;
    2. professor dá as informações pertinentes sobre o trabalho a realizar, através de exposição oral ou leitura de textos; 
    3.  professor organiza os seus alunos por grupos de trabalho –revela - se uma fase que consideramos difícil, pois além de poder gerar alguma confusão, o professor deve ter em consideração se deve ou não atribuir papéis a algum aluno em particular, nomeadamente a responsabilidade pela tarefa ou material ou o papel de moderador, como exemplo;
    4. os alunos trabalham em grupo, na realização de tarefas interdependentes, com o apoio do professor;
    5.        apresentação do trabalho do grupo;
    6. reconhecimento dos esforços do grupo e dos esforços individuaisa disposição em círculo melhora a interação livre entre alunos, permitindo-lhes conversarem livremente uns com os outros, e minimiza a distância emocional e física entre eles.

    A disposição em círculo melhora a interação livre entre alunos, permitindo-lhes conversarem livremente uns com os outros, e minimiza a distância emocional e física entre eles, contudo, essa forma de organização impede o professor de se movimentar livremente entre os seus alunos e/ou para o quadro.

    Por fim, para o desenrolar das atividades pedagógicas e didáticas fluam, deve haver uma flexibilização do espaço, em que as cadeiras, as mesas, e outros materiais, possam ser facilmente deslocados em função das necessidades do professor e dos seus alunos, não descurando o nível de coerência entre os objetivos e a dinâmica proposta para a sua realização, ou os métodos de ensino e aprendizagem caracterizadores do modo de trabalhar de cada um. É fundamental que os professores, tanto na formação inicial como na formação continuada, se consciencializem da sua influência no (in) sucesso dos alunos.
     

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    Matemática é ensinada a crianças do Brasil com metodologia de Harvard  

    Materia publicada em  24/09/2014 05h00, no site: http://g1.globo.com/educacao/noticia/2014/09/matematica-e-ensinada-criancas-do-brasil-com-metodologia-de-harvard.html 

    O Círculo da Matemática chegou a 66 escolas públicas de 10 cidades.

    Objetivo é inovar no ensino, desenvolver o raciocínio e criatividade.

    Vanessa Fajardo Do G1, em São Paulo
    Pela metodologia, as crianças são instigadas a responder as questões na lousa (Foto: Caio Kenji/G1)Pela metodologia de Harvard, a base das aulas é a reta numérica (Foto: Caio Kenji/G1)
    Uma nova proposta do ensino da matemática chegou a 7 mil alunos dos primeiros anos do ensino fundamental de 66 escolas públicas em 10 cidades brasileiras. É o Círculo da Matemática, uma pedagogia desenvolvida pelos professores Bob e Ellen Kaplan, da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, e trazida para o Brasil pelo Instituto Tim.
    Pelo círculo, as aulas de matemática são oferecidas a turmas de no máximo 10 alunos. Não há carteiras, lição de casa ou provas. Somente cadeiras, em que os alunos, propositalmente, não param sentados. A fórmula é simples: as crianças são instigadas a responder as questões da professora na lousa com giz, sem qualquer tecnologia. Nenhum erro é reprimido, mas nenhuma resposta é oferecida sem ser debatida.
    A base das aulas é uma reta numérica onde são ensinadas as operações e conceitos matemáticos. "Quais são números pares, e os ímpares, e os primos?", questiona a professora, enquanto os alunos disputam para respondê-la.
    As aulas do círculo não substituem as da grade curricular de matemática das escolas, ou seja, são aulas extras e ocorrem uma vez por semana para cada turma. O objetivo é desenvolver o raciocínio das crianças, fazer com que elas pensem, esqueçam as fórmulas e a decoreba e acima de tudo aprendam a gostar de matemática. Tem funcionado. “Gosto de matemática porque é divertido, as pessoas que acham chato é porque não conhecem os números”, diz Maria Clara Barbosa Rodrigues, de 7 anos, aluna do 2º ano.
    O principal lema que define a metodologia dos professores Kaplan de Harvard é “diga-me e esquecerei, pergunte-me e descobrirei.” Nas aulas, faz parte da metodologia chamar as crianças sempre pelos nomes e incentivá-las a entrar nas discussões.
    Ajuda no raciocínio
    Estudantes da rede pública participam da prática em matemática com a professora Janaina de Almeida  (Foto: Caio Kenji/G1)Estudantes da rede pública participam da prática em matemática com a professora Janaina de Almeida (Foto: Caio Kenji/G1)
    Parte do fracasso do ensino da matemática é o excesso de mecanização. Fazer matemática é fazer continha e muitas vezes é um negócio chato para as crianças"
    Flavio Comim, coordenador do
    Círculo da Matemática no Brasil
    Em São Paulo, uma das unidades contempladas é a da escola estadual Clorinda Danti, na Zona Oeste de São Paulo, que atende 480 alunos do 1º ao 5º do ensino fundamental. Uma das educadoras é Janaina Rodrigues de Almeida, de 29 anos, aluna de licenciatura de matemática pela Universidade de São Paulo (USP). “Nunca tinha dado aulas e ver a carinha das crianças quando elas descobrem algo é impagável. Nessa idade você as ajuda a contribuir com algo para o futuro. O círculo ajuda a pensar, a raciocinar”, afirma Janaína.
    A diretora da escola Rosana Osso de Miranda diz que o trabalho do círculo acabou influenciando o desempenho dos alunos nas demais disciplinas e até os professores da unidade. “Os alunos estão mais participativos e gerou uma reflexão nos professores de que eles podem fazer diferente.”
    Harvard na periferia
    Janaina de Almeida dá aulas de matemática na escola Clorinda Danti seguindo da metologia O Círculo da Matemática (Foto: Caio Kenji/G1)Janaina de Almeida dá aulas de matemática na escola Clorinda Danti seguindo da metologia O Círculo da Matemática (Foto: Caio Kenji/G1)
    O projeto chegou ao Brasil há um ano. A expectativa, de acordo com o coordenador do Círculo da Matemática no Brasil, Flavio Comim, é incorporar os alunos do 5º ano e formar educadores que já atuam como professores na rede pública para expandir o número de crianças atendidas. As escolas que recebem o círculo são escolhidas a partir de parcerias com as secretarias da educação e a preferência é optar por aquelas que possuem os piores desempenho no Índice de Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).
    Assim como a música é feita para tocar junto, matemática (que é a mais bela das músicas) é feita por seres humanos para seres humanos, e feita para ser praticada coletivamente"
    Bob Kaplan, professor de
    Harvard
    “Parte do fracasso do ensino da matemática é o excesso de mecanização. Fazer matemática é fazer continha e muitas vezes é um negócio chato para as crianças. Seguimos uma abordagem que os professores Kaplan desenvolveram durante 20 anos, é um tipo de ensino muito exclusivo. É a pedagogia de Harvard para crianças da periferia do Brasil”, diz Comim.
    Bob e Ellen Kaplan vêm ao Brasil frequentemente para formar professores. Eles dizem que se o professor explicar uma ideia para uma criança em matemática ou qualquer outra disciplina, ela não é estimulada a pensar. “Mas se o professor der uma problema atraente que precisa dessa ideia para a solução, ela vai descobrir isso para si mesma e sua autoconfiança irá aumentar”, diz Bob Kaplan, em entrevista por e-mail ao G1.
    Para os estudiosos da matemática, a classe deve ser como uma conversa de animada entre amigos em uma mesa de jantar. “É claro que esses tipos de conversas só acontecem em pequenos grupos. Muitos, muitos mais professores devem ser treinados para fazer essas perguntas principais e moldar as conversas, e isso é o que fazemos em nossa formação de professores de matemática do círculo”, afirma Ellen.
    Bob diz que o círculo não possui um método rígido, mas uma abordagem flexível, e foi adaptado por pessoas nas quais eles se incluem. “Assim como a música é feita para tocar junto, matemática (que é a mais bela das músicas) é feita por seres humanos para seres humanos, e feita para ser praticada coletivamente”, diz Bob.
    Pela metodologia, as crianças são instigadas a responder as questões na lousa (Foto: Caio Kenji/G1) 
    Pela metodologia, as crianças são instigadas a responder as questões na lousa (Foto: Caio Kenji/G1)